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sexta-feira, setembro 25, 2026

Governo avalia respostas após EUA anunciarem sobretaxa de 25% sobre exportações brasileiras

O que aconteceu: Com a confirmação, em 18 de julho de 2026, de que os Estados Unidos aplicarão uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou as discussões sobre medidas de retaliação. A sobretaxa passa a vigorar na quarta-feira, 22 de julho de 2026.

Resposta oficial: O Palácio do Planalto criticou a decisão americana e anunciou a abertura de procedimentos para avaliar a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada em 2025. Até o momento não foram divulgadas medidas concretas. Em entrevista coletiva, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a legislação será acionada “no momento adequado”, sem detalhar prazos.

Como funciona a lei e o seu trâmite

A legislação permite adotar contramedidas contra países que imponham barreiras comerciais, legais ou políticas ao Brasil. Especialistas ouvidos dizem que o uso da norma exige etapas formais: análise na Câmara de Comércio Exterior, consulta pública e diálogo com o país alvo — o que torna qualquer retaliação um processo demorado, segundo o ex-secretário do Comércio Exterior Welber Barral.

Setores afetados e riscos

Apesar de ampla lista de isenções — com destaque para petróleo, café e carne bovina —, a sobretaxa americana atinge segmentos como etanol, máquinas agrícolas e papel. Economistas alertam para o risco de alta nos preços domésticos caso o Brasil adote tarifas sobre importações americanas: custos repassados ao consumidor tenderiam a agravar o impacto, observa o especialista em comércio exterior Jackson Campos.

Outros instrumentos previstos na lei

A Lei da Reciprocidade prevê, além de tarifas, alternativas como suspensão de regras de propriedade intelectual aplicáveis a empresas do país alvo, restrições a serviços, suspensão de benefícios a investimentos e congelamento de concessões previstas em acordos comerciais. A legislação exige medidas proporcionais ao dano e busca minimizar efeitos sobre a economia brasileira.

Riscos de escalada e caminhos possíveis

Há preocupação com uma escalada de retaliações, semelhante à guerra comercial entre China e EUA, quando tarifas chegaram a níveis superiores a 100% e reduziram fortemente o comércio bilateral. A administração Trump apontou, na investigação que motivou a sobretaxa, práticas brasileiras relacionadas ao sistema de pagamentos PIX, acesso ao mercado de etanol, desmatamento ilegal e pirataria — alegações que o governo brasileiro contesta, classificando como interferência em políticas internas.

Especialistas apresentam três rotas para o Brasil: negociar tecnicamente item a item (com o etanol como exemplo com espaço para acordo), manter a ameaça da reciprocidade como instrumento de pressão sem aplicá-la de imediato, e pressionar atores nos EUA que possam influenciar a decisão, como empresas e legisladores. O ex-secretário Barral ressalta que, usada com critério, a lei pode fortalecer a negociação.

Medidas de apoio e contexto eleitoral

A ApexBrasil prepara, para início de agosto, um programa de diversificação de mercados com investimento de R$ 130 milhões, em parceria com o setor privado, para apoiar setores afetados. As eleições no Brasil e nos EUA também pesam: especialistas esperam negociações prolongadas e cautela prática diante do calendário eleitoral. Pesquisa Quaest divulgada recentemente indica que a maioria dos brasileiros atribui ao senador Flávio Bolsonaro responsabilidade pela decisão americana, e aliados admitem prejuízos à sua campanha.

Situação atual: Com a tarifa de 25% entrando em vigor em 22 de julho e sem uma resposta formal definida, o governo brasileiro mantém diálogo técnico e avalia alternativas para reduzir impactos econômicos e políticos.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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