O que: Consumo de produtos e serviços analógicos — como discos de vinil, câmeras fotográficas antigas e atividades manuais presenciais — tem atraído público disposto a pagar por experiências mais lentas e presenciais.
Quem e onde: Em Macapá (AP), Charles Figueiredo transformou sua coleção de discos em uma loja especializada em vinil há cerca de dez anos. Em Goiânia, Silvio Alves Domingues, que atua na fotografia há 40 anos, vê aumento na procura por câmeras analógicas. Em São Paulo, Laura Issa abriu um espaço de experiências criativas com oficinas de cerâmica, bordado, crochê e aquarela.
Como e por quê: Consumidores, especialmente jovens e adultos que buscam reduzir o tempo em telas, procuram produtos e atividades que envolvem ritual, presença e interação sensorial. No caso dos LPs, o processo de escolher o álbum, tirar o disco da capa e posicionar a agulha compõe um ritual apreciado por clientes que valorizam ouvir música sem pressa. Na fotografia, parte do público busca a naturalidade e a imperfeição das imagens produzidas em filme, enquanto as oficinas oferecem desconexão e socialização presencial.
Dados e números: A loja de vinil de Charles vende discos a partir de R$ 2 e tem faturamento estimado em R$ 25 mil por mês. Aproximadamente 70% dos clientes são jovens entre 16 e 26 anos. O negócio de Silvio fatura cerca de R$ 100 mil mensais; ele relata que câmeras que custavam R$ 100 a R$ 150 no passado podem ser comercializadas hoje entre R$ 1.300 e R$ 1.400, dependendo do estado de conservação. O espaço de Laura teve investimento inicial de R$ 50 mil, ticket médio de R$ 250 e receita aproximada de R$ 45 mil por mês; 90% dos frequentadores são mulheres, em sua maioria entre 30 e 40 anos.
Trajetória dos empreendedores: Charles transformou o hobby em negócio e usa feiras, encontros de colecionadores, catálogos e redes sociais para divulgar a loja. Silvio acompanhou a transição do analógico para o digital e, diante da nova demanda retrô iniciada há cerca de oito anos, passou a restaurar equipamentos antigos e avaliar o potencial de retorno das fábricas de película. Laura baseou a ideia do espaço em sua própria busca por aprender novas atividades e observou que muitos clientes chegam por indicação e pela presença física do local na rua.
Contexto geral: Embora nasçam como reação ao ritmo digital, esses negócios utilizam ferramentas online para promoção e vendas. O movimento não implica rejeição total da tecnologia, mas expressa uma preferência por experiências que exigem tempo, atenção e troca presencial, indicativo de um mercado interessado em conciliar o analógico com o digital.


