Proposta e objetivo
A Proposição 40, levada a voto pelos eleitores da Califórnia, prevê um imposto único de 5% sobre o patrimônio líquido de pessoas com pelo menos US$ 1 bilhão, que residiam no estado em 1º de janeiro de 2026. A iniciativa pretende arrecadar US$ 100 bilhões (aproximadamente R$ 496 bilhões) para compensar cortes no financiamento federal do sistema de saúde californiano.
Quem seria afetado e retroatividade
O imposto incidiria sobre pouco mais de 200 bilionários que vivem ou viviam no estado naquela data. A medida tem aplicação retroativa, de acordo com o texto da proposta, o que levou pelo menos seis bilionários a deixar a Califórnia antes de 1º de janeiro de 2026, segundo relatos citados pela imprensa.
Apoios e lideranças da campanha
Entre os defensores da iniciativa estão sindicatos de trabalhadores da saúde, como o SEIU-UHW, cuja chefe de gabinete, Suzanne Jimenez, afirma que a medida é uma solução de curto prazo para os cortes federais que, segundo ela, ameaçam o funcionamento do sistema de saúde estadual. O empresário Jensen Huang, CEO da Nvidia, também declarou apoio público à proposta. Tom Steyer, bilionário e ex-candidato ao governo da Califórnia, afirmou que votará a favor, apesar de considerar aspectos da redação “problemáticos”. O senador Bernie Sanders tem feito campanha em apoio à Proposição 40, defendendo que os mais ricos devem contribuir mais.
Oposição e reação de bilionários
A iniciativa enfrenta forte resistência de figuras bilionárias e de lideranças políticas. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, manifestou preocupação de que o imposto leve à saída de pessoas ricas do estado e à perda de receitas de imposto de renda. Sergey Brin, cofundador do Google, doou mais de US$ 100 milhões a uma organização política que financia ações para bloquear a medida. Outros bilionários mencionados como tendo deixado o estado incluem Larry Page, Peter Thiel, Travis Kalanick e Don Hankey.
Mark Zuckerberg, CEO da Meta, indicou que considerou transferir sua residência para fora da Califórnia por causa do imposto; a Meta acertou novo pacote em ações para compensar eventuais perdas do executivo caso a medida seja aprovada. Andy Fang, cofundador da DoorDash, classificou a proposta como “estúpida” e disse publicamente que planeja deixar o estado caso seja aprovada. Don Hankey afirmou ter se mudado para Nevada por se sentir “não bem-vindo”.
Impactos econômicos e precedentes
Pesquisadores e comentaristas citados no debate apontam que impostos sobre patrimônio já foram comuns na Europa, mas hoje existem apenas na Espanha, Noruega e Suíça. Críticos, como Kristian Niemietz, do Instituto de Assuntos Econômicos, argumentam que tributos patrimoniais geram trabalho administrativo, desestimulam investimentos e podem levar à saída de capitais, arrecadando pouco no fim das contas. Estudos citados indicam que, na Noruega, o aumento do imposto sobre patrimônio levou mais super-ricos a saírem do país em 2022 do que nos 13 anos anteriores somados; pesquisa sobre a Suíça indica que um acréscimo de 0,1 ponto percentual na alíquota reduziu em 3,5% o patrimônio tributável.
Contexto californiano
A Califórnia tem a maior economia entre os estados dos EUA e a quarta maior do mundo, superando economias como as da Índia e do Reino Unido, e concentra uma das maiores populações de bilionários do planeta. Ao mesmo tempo, o estado registra a maior proporção de pessoas em situação de rua nos EUA e níveis elevados de desigualdade patrimonial. No terceiro trimestre de 2025, o 1% mais rico das famílias americanas detinha quase 32% da riqueza do país.
Opinião pública e próxima votação
Uma pesquisa de setembro do Instituto de Estudos Governamentais de Berkeley e do Los Angeles Times mostrou que a Proposição 40 ainda não tinha maioria clara entre eleitores prováveis: 45% a favor, 42% contra e 13% indecisos. A medida será submetida a decisão em votação em todo o estado em 3 de novembro; para ser aprovada, precisa obter maioria entre os eleitores.
Especialistas ouvidos classificam a iniciativa como símbolo de um sentimento antielite e antissistema mais amplo, e há quem veja a proposta como uma tentativa de reequilibrar a distribuição de riqueza no estado.
Fonte: G1


