Alimentação vegana pode ser adequada para a saúde, mas rótulos como “vegano”, “plant-based”, “natural” ou “orgânico” não asseguram que um produto seja nutritivo, alerta a nutricionista Juliana Andrade em texto publicado pelo Metrópoles. Segundo a profissional, a escolha ética de evitar alimentos de origem animal é distinta da avaliação da qualidade da dieta.
Produtos tradicionais considerados não saudáveis — como batata frita, refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos e balas de goma — podem não conter ingredientes de origem animal e, ainda assim, oferecer pouco valor nutricional. O chamado efeito auréola contribui para a percepção equivocada de que itens identificados como veganos ou “fit” são automaticamente melhores, o que pode levar ao consumo excessivo.
A indústria alimentícia disponibiliza versões veganas de hambúrgueres, salsichas, nuggets, queijos, sorvetes e chocolates. Embora alguns desses produtos possam integrar a rotina, muitos trazem listas longas de componentes e concentrações elevadas de sódio, óleos, açúcares, espessantes e aromatizantes. Trata-se de alimentos ultraprocessados que, apesar de não conterem carne, demandam atenção ao serem incluídos na dieta.
Pesquisas citadas no material indicam que dietas baseadas em plantas podem oferecer proteção cardiovascular e reduzir o risco de doenças crônicas. No entanto, os benefícios estão mais associados ao consumo de alimentos minimamente processados, como feijão, grãos integrais, frutas, verduras, castanhas e sementes.
Estudos que distinguem padrões alimentares vegetais mostram menor risco cardiovascular entre quem prioriza alimentos in natura. Em contraponto, altas ingerências de produtos vegetais refinados e ultraprocessados — como pão branco, doces, bebidas açucaradas e outros industrializados — não apresentam as mesmas vantagens e podem até elevar riscos.
Proteínas podem ser garantidas pela combinação de leguminosas, cereais, soja e oleaginosas. Iodo e vitamina D também merecem acompanhamento por meio de exames laboratoriais.
Para equilibrar a alimentação vegana, a recomendação é incluir feijão, lentilha, grão-de-bico ou soja nas refeições principais, variar as cores de frutas, verduras e legumes e utilizar produtos industrializados como complemento, não como base. Ler a lista de ingredientes — privilegiando composições curtas e reconhecíveis — e buscar acompanhamento com nutricionista, além de realizar exames periódicos, são orientações ressaltadas pela profissional.
Juliana Andrade reforça que ser vegano pode ser uma escolha saudável quando a alimentação é bem planejada, e que mais importante que o selo na embalagem é a composição do prato ao longo dos dias: arroz, feijão, salada e frutas continuam como base de uma alimentação saudável para veganos e não veganos no Brasil.
Fonte: Uberlandianofoco — https://uberlandianofoco.com.br/alimentacao-vegana-pode-ser-saudavel-mas-selo-plant-based-nao-e-garantia-alerta-nutric/


