A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou em 19 de maio de 2026 uma revisão para baixo de sua estimativa de expansão econômica mundial, atribuindo a alteração ao recrudescimento da crise no Oriente Médio, que reacendeu pressões inflacionárias e aumentou o grau de incerteza no cenário internacional.
No comunicado que acompanha a atualização semestral do relatório “Situação Econômica Mundial e Perspectivas”, a ONU informou que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) global para 2026 foi recalculada em 2,5%. A previsão para 2025 havia sido estimada em 3,0%. O novo número ficou 0,2 ponto percentual abaixo da projeção divulgada em janeiro e também está bem abaixo das taxas observadas antes da pandemia de Covid-19.
Para 2027, a entidade espera uma recuperação tímida, com crescimento projetado de 2,8%. Segundo a ONU, fatores como mercados de trabalho relativamente fortes, demanda do consumidor resistente e o impulso ao comércio e aos investimentos trazido pela inteligência artificial devem sustentar a atividade econômica mundial, apesar da revisão para baixo.
O relatório destaca ainda que o aumento dos custos de energia trouxe ganhos inesperados para alguns setores, mas elevou as despesas para famílias e empresas. A estimativa de inflação para economias desenvolvidas subiu de 2,6% em 2025 para 2,9% em 2026. Entre os países em desenvolvimento, a previsão de inflação passou de 4,2% para 5,2% no mesmo período.
A ONU aponta impactos regionais mais severos na Ásia Ocidental, onde a perspectiva de crescimento foi reduzida de 3,6% para 1,4%, em razão de danos à infraestrutura, ao comércio e ao turismo. Nos Estados Unidos, a projeção indica crescimento de 2,0% em 2026, praticamente estável em relação a 2025, apoiada por forte demanda interna e por investimentos em tecnologia.
Na União Europeia, a organização prevê desaceleração do crescimento de 1,5% para 1,1%, enquanto no Reino Unido a estimativa passou de 1,4% para 0,7%, reflexo da maior vulnerabilidade à importação de energia. A China teve sua projeção reduzida de 5,0% para 4,6%, com efeitos atenuados pela diversificação energética, reservas estratégicas e medidas governamentais. A Índia, por sua vez, deve ver a taxa de crescimento cair de 7,5% para 6,4%.
A nota de atualização da ONU reforça que, embora haja elementos de suporte ao crescimento, a conjuntura global continua enfraquecida frente às pressões recentes desencadeadas pelo conflito no Oriente Médio.


