Produtores travam comercialização apesar de expectativa de produção elevada
Com a colheita em fase inicial, cafeicultores de Minas Gerais estão reticentes em vender grãos, apesar de consultorias e a Conab projetarem uma safra brasileira recorde para 2026. Especialistas estimam que o país deve colher mais de 70 milhões de sacas de 60 kg neste ano, e a estatal também vê potencial para produção histórica, embora em nível máximo um pouco menor.
Representantes de cooperativas do sul de Minas e do Cerrado afirmam que, internamente, não acreditam que a produção de arábica em 2026 supere o recorde registrado em 2020. No Seminário Internacional do Café, em Santos, Jacques Miari, presidente da Cocatrel, sediada em Três Pontas, disse que 2020 continua sendo o melhor ano para a cooperativa e que espera que 2026 fique mais próximo de 2024 ou 2023 do que de 2020.
Joaquim Frezza, gestor comercial da Coocacer, de Araguari, no Cerrado Mineiro, avaliou que o início da colheita confirma boa produção, mas acredita que a safra deste ano deve apenas equiparar a de 2020, e não superá-la. Luiz Fernando dos Reis, superintendente comercial da Cooxupé, maior cooperativa e exportadora do país, afirmou que, somando arábica e robusta, há projeções de recorde nacional, mas que, isoladamente, o arábica ainda não apresenta volume superior ao de 2020.
A Cooxupé manteve suas estimativas de recebimento e embarque para 2026: projeção de exportações de 4,4 milhões de sacas, o que representaria queda de 500 mil sacas em relação a 2025; e expectativa de recebimento de 6,8 milhões de sacas, aumento de cerca de 800 mil sacas ante 2025. Luiz Fernando dos Reis lembrou que a cooperativa recebeu 8 milhões de sacas em 2020, mas ainda não alterou suas previsões para este ano.
Os representantes apontam que, mesmo com potencial de grande safra, os negócios permanecem travados. Reis observou que compradores externos estão aguardando a entrada do novo fluxo comercial e que produtores têm vendido com lentidão após se capitalizarem com preços recordes em anos recentes.
Na avaliação da Cocatrel, há um descompasso entre o preço de exportação e as exigências dos produtores. A cooperativa tem direcionado esforços ao mercado interno, pois muitos contratos de exportação não estariam sendo fechados. Segundo Chico Pereira, gerente de comercialização da Cocatrel, as ofertas internacionais estão distantes dos valores que a cooperativa precisa pagar ao produtor — ele citou diferença de até 50 centavos por libra-peso em relação à cotação necessária para viabilizar a operação — e, por isso, o mercado externo permanece parado.
Enquanto a colheita avança, cooperativas e comerciantes acompanham a evolução dos preços e dos fluxos de venda para definir se ampliarão as negociações nos próximos meses.
Fonte original: G1


