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sábado, março 7, 2026

Ofício interno dos Correios diz que programa Remessa Conforme escancarou problemas de reposicionamento negocial

Um documento interno da Diretoria Econômico-Financeira (Diefi) dos Correios aponta que o programa “Remessa Conforme”, instituído em 2023 pelo Ministério da Fazenda, evidenciou fragilidades no reposicionamento comercial da estatal e acentuou a crise financeira da empresa. O ofício, assinado pela diretora Loiane de Carvalho Bezerra de Macedo, relaciona a mudança regulatória a perdas de receita e ao aumento das despesas que vêm levando a resultados negativos consecutivos.

Segundo o texto, a implementação do programa — que passou a cobrar 20% de imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50 e permitiu que empresas de transporte privadas fizessem a entrega doméstica de encomendas estrangeiras, antes monopolizada pelos Correios — teve impacto direto nas receitas da estatal. A medida, popularmente chamada de “taxa das blusinhas”, acabou reduzindo a obrigatoriedade de os Correios realizarem a distribuição das encomendas.

Um estudo interno citado no ofício estima uma frustração de receita de R$ 2,2 bilhões após a adoção do programa. As demonstrações do terceiro trimestre de 2025 mostram que a receita total da empresa foi de R$ 12,3 bilhões, valor 12,7% (R$ 1,8 bilhão) inferior ao registrado no mesmo período de 2024, quando as receitas atingiram R$ 14,1 bilhões.

O impacto foi ainda mais expressivo nas postagens internacionais: a receita desse segmento caiu R$ 2 bilhões nos primeiros nove meses do ano, passando de R$ 3,2 bilhões em 2024 para R$ 1,1 bilhão em 2025. Em quantidade de objetos transportados, os Correios registraram uma queda próxima a 110 milhões de pacotes no comparativo entre os primeiros nove meses de 2024 (149 milhões) e o mesmo intervalo de 2025 (41 milhões).

O documento também relaciona a expansão das compras em marketplaces internacionais à redução da participação desse segmento no faturamento total: de quase 25% em anos anteriores para 8,8% atualmente. No pico de julho de 2024, os Correios transportaram 21 milhões de pacotes e receberam R$ 449 milhões; em setembro de 2025, a empresa registrou apenas 3 milhões de encomendas e R$ 87 milhões de receita — o menor resultado em 23 meses.

Os próprios Correios descrevem o fenômeno como um “ciclo vicioso de prejuízos”. “Formou-se, assim, um ciclo vicioso de perda de clientes e receitas, decorrente da baixa qualidade operacional, que reduziu progressivamente a geração de caixa necessária para regularizar as obrigações dos Correios”, afirmou Loiane de Carvalho Bezerra de Macedo no ofício. O texto adiciona que a deterioração da performance operacional foi o principal fator para os prejuízos recorrentes e que negociações com grandes clientes — responsáveis por mais de 50% da receita de vendas — tornaram-se mais sensíveis, comprometendo acordos e frustrando expectativas.

Como consequência da redução de receitas e do impacto operacional, os Correios deixaram de pagar R$ 3,7 bilhões até setembro de 2025, segundo o relatório.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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