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sábado, maio 30, 2026

Agro brasileiro tem início de ano positivo, mas risco de El Niño e alta dos fertilizantes pode frear produção

Resumo: Após um começo de ano com crescimento, o setor agropecuário brasileiro enfrenta perspectiva de enfraquecimento nos próximos meses, pressionado pela possível chegada do El Niño e pela elevação dos custos com fertilizantes.

Quem e o que: A agropecuária do Brasil, que cresceu 2% no primeiro trimestre em relação ao quarto trimestre de 2025, deve recuar nos meses seguintes caso se confirme o cenário climático adverso e a alta nos insumos. A avaliação foi feita por pesquisadores e consultores do setor, que apontam impactos sobre safras, custos e o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio.

Quando e por que: O fenômeno El Niño, com alta probabilidade de formação entre junho e julho, tende a provocar secas no Centro-Norte e chuvas intensas no Sul do país. Especialistas lembram do El Niño de 2014/2015, de grande intensidade, associado à maior quebra de safra da história recente do Brasil. Se confirmado em junho, o El Niño pode atrasar plantios ainda em 2026 e reduzir volumes colhidos em 2027.

Onde e como: Regiões como Matopiba — formada por áreas do Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia —, além de Mato Grosso e Pará, seriam afetadas pela estiagem, comprometendo produção de soja, milho e algodão. Já o excesso de chuva no Sul, sobretudo no Rio Grande do Sul, prejudica culturas como o arroz. A dispersão geográfica da produção brasileira faz com que diferentes áreas sofram impactos distintos, alternando entre seca e excesso hídrico.

Dados e contexto econômico: O crescimento de 2% no primeiro trimestre, apontado pelo IBGE, decorreu do aumento da produção de grãos, com destaque para a soja, cuja colheita se concentra no início do ano. Esse resultado sucede um avanço de 12% registrado no ano anterior. Apesar do desempenho inicial, analistas ressaltam que a base de comparação é elevada e que há oferta global abundante de grãos e estoques elevados, fatores que pressionam preços das commodities. A valorização do real frente ao dólar também tende a reduzir a receita convertida para reais de produtores de soja, milho, algodão e café.

Custos e crédito: Além do risco climático, o aumento dos juros eleva o endividamento dos produtores e encarece o crédito, levando à redução de área plantada ou ao uso de insumos menos eficientes. A guerra no Oriente Médio impulsionou a alta dos fertilizantes; seus efeitos sobre os preços ao consumidor devem se refletir principalmente em 2027, já que a safra 2026 foi plantada com adubos adquiridos antes do conflito. No curto prazo, porém, produtores já enfrentam custos maiores ao comprarem insumos para ciclos futuros.

Impactos na produção: Produtores que não consigam arcar com fertilizantes na quantidade adequada podem reduzir a aplicação por hectare ou optar por fertilizantes menos concentrados, diminuindo potencial produtivo. A escolha por adubos de menor concentração exige aplicação de maior volume, elevando custos de transporte, operação de máquinas e consumo de óleo diesel. Na pecuária, o setor passa por uma “virada de ciclo”: após três anos de abates elevados, há retenção de fêmeas para recompor o rebanho, o que altera dinamicamente o ritmo de abates e a oferta no curto prazo.

Projeção: O economista Felippe Serigati, da FGV Agro, estima queda de 0,9% no PIB do agronegócio em 2026, citando combinação de riscos climáticos, aumento do custo de fertilizantes e juros elevados como fatores determinantes.

Fim da notícia.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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