Antecipação e próximos passos
Integrantes do governo brasileiro já esperavam que os Estados Unidos propusessem uma sobretaxa sobre importações provenientes de países apontados por falhas no combate ao trabalho forçado, após o Brasil ter sido incluído em uma lista de 60 países nessa condição. A expectativa interna é de que essa taxa adicional seja aplicada junto à alíquota anunciada anteriormente.
Autoridades brasileiras dizem entender que a nova sobretaxa será somada aos 25% anunciados em 1º de junho, elevando o encargo para 37,5%, percentual próximo aos cerca de 40% adotados no ano passado. A estratégia oficial para tentar reverter ou reduzir a medida seguirá o mesmo roteiro usado diante da taxação de 25%: diálogo diplomático com os Estados Unidos até o encerramento do prazo da investigação.
Defesa técnica apresentada
Em abril, o governo submeteu uma defesa classificada pela diplomacia como técnica, na qual foram apresentados números e medidas adotadas no Brasil para combater o trabalho análogo ao escravo. Entre os pontos citados na defesa estão a criação, em 2003, da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo e a chamada “Lista Suja”, mecanismo pelo qual empregadores flagrados explorando mão de obra em condições análogas à escravidão podem perder acesso a financiamentos em bancos públicos.
Agenda diplomática em Paris
A defesa brasileira seguirá sendo trabalhada nos canais diplomáticos até o prazo final da investigação americana, afirmam interlocutores do governo. A expectativa é que o diálogo técnico tente demonstrar os avanços e mecanismos institucionais do país no enfrentamento ao problema, com vistas a mitigar a aplicação ou o impacto da sobretaxa adicional.


