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sábado, junho 13, 2026

Estudo indica que jovens brasileiros não são mais conservadores que gerações mais velhas, apesar de adesão a posições conservadoras em alguns temas

Uma pesquisa realizada pela Quaest a pedido do instituto More in Common aponta que, embora muitos jovens brasileiros de 16 a 24 anos se declarem conservadores, eles não aparecem mais conservadores que faixas etárias mais velhas em uma série de perguntas sobre gênero, sexualidade e política.

O levantamento, feito presencialmente entre janeiro e fevereiro de 2025 como parte do projeto “O Brasil Invisível”, ouviu cerca de 10 mil pessoas em seus domicílios. A amostra respondeu a 14 perguntas que procuravam medir a aderência a ideias conservadoras ou progressistas em temas relacionados a identidade de gênero, sexualidade e posicionamento político.

Principais resultados

Entre os jovens de 16 a 24 anos, 68% dos homens e 62% das mulheres disseram se identificar como conservadores, percentuais que, segundo o estudo, são inferiores aos observados em faixas etárias mais altas. Mesmo assim, a pesquisa descreve a juventude como uma posição intermediária no debate sobre costumes: apoio a algumas demandas por igualdade convive com resistência a rótulos e a determinadas minorias.

Sobre adoção por casais do mesmo sexo, cerca de 70% dos homens jovens e 83% das mulheres jovens concordaram que casais gays devem ter esse direito. Ao mesmo tempo, mais da metade dos jovens afirmou que a homossexualidade deveria ser vivida de forma reservada, “entre quatro paredes”.

Na dimensão de gênero, menos de um quarto dos jovens concordou que “homens são superiores às mulheres”, mas quase metade endossou afirmações críticas ao feminismo, como a ideia de que o movimento promove ódio aos homens ou representa uma ameaça à família. A respeito do debate sobre “ideologia de gênero” nas escolas, 59% dos jovens disseram que o tema confunde a sexualidade das crianças e 55% entenderam que a sexualidade deve ser tratada apenas pela família.

Uma das questões que despertou maior resistência entre homens jovens foi a de permitir que travestis usem o banheiro feminino: apenas 19% dos homens de 16 a 24 anos concordaram com essa afirmação.

Bolsonarismo entre jovens

O estudo também mostra que a identificação com o bolsonarismo é relativamente mais forte entre homens jovens: 42% dos homens de 16 a 24 anos afirmaram se identificar com ideias associadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores. Esse percentual cai para cerca de 35% entre quem tem 25 a 54 anos, 29% entre 55 e 64 anos, e 25% entre maiores de 65 anos — diferença que se mantém mesmo considerando margem de erro de até quatro pontos percentuais na última faixa.

Interpretações e limitações

Os pesquisadores observam que, em nenhuma das perguntas aplicadas, houve evidência de que os jovens seriam mais conservadores que os mais velhos. Helena Vieira, professora e gestora cultural que atuou como consultora do estudo, diz que o conservadorismo não se configura como algo estritamente geracional: há adesão a demandas sociais, mas rejeição às identidades políticas que mobilizam essas pautas.

Pablo Ortellado, diretor-executivo do More in Common e professor da USP, atribui parte da diferença entre estudos internacionais e o levantamento brasileiro às metodologias: enquanto pesquisas no exterior têm usado painéis online, a abordagem presencial da Quaest buscou maior representatividade. Segundo Ortellado, estudos pela internet tendem a recolher perfis mais conectados e engajados, o que pode gerar viés de seleção e ampliar a percepção de tendências que, na sociedade em geral, seriam menos massivas.

Os autores destacam que as conclusões não são definitivas e que ainda faltam respostas sobre se as atitudes observadas se mantêm ao longo da vida dos atuais jovens ou mudam com o envelhecimento das coortes.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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