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sábado, junho 13, 2026

Universidades brasileiras perdem posições em ranking global de 2026; alerta maior recai sobre instituições do Rio de Janeiro

Resumo: A edição 2026 do Center for World University Rankings (CWUR) revela retrocesso das universidades brasileiras em rankings internacionais, com quedas mais acentuadas nas instituições federais do Estado do Rio de Janeiro, sobretudo no indicador de pesquisa, que representa 40% da pontuação.

O CWUR 2026, divulgado na primeira semana de junho, utiliza sete indicadores agrupados em quatro dimensões: Qualidade da educação (25%), Empregabilidade (25%), Qualidade do corpo docente (10%) e Pesquisa (40%). A dimensão Educação é medida pelo sucesso acadêmico de ex-alunos laureados; Empregabilidade avalia a presença de egressos em posições de liderança nas maiores empresas mundiais; Corpo Docente considera a presença de docentes agraciados com distinções acadêmicas internacionais; e Pesquisa reúne produção científica, publicações de alta qualidade, influência científica e impacto por citações.

Entre as três instituições brasileiras melhor posicionadas no ranking estão a USP, a Unicamp e a UFRJ, com perfis distintos conforme os subindicadores. A USP destacou-se na pesquisa, ficando na 82ª posição nesse componente, enquanto obteve 549ª em Educação, 390ª em Empregabilidade e 203ª em Corpo Docente. A Unicamp apresentou desempenho mais forte em Pesquisa (117ª) em comparação com Educação (854ª), Empregabilidade (516ª) e Corpo Docente (266ª). A UFRJ figura na 407ª posição em Pesquisa, alcança 176ª no Corpo Docente e 504ª em Educação, e registra 489ª em Empregabilidade.

O ranking evidencia que a diferença entre universidades brasileiras bem colocadas e as líderes mundiais reside menos na produção científica isolada e mais nos componentes ligados ao sucesso de ex-alunos, prestígio acadêmico histórico e presença de egressos em posições de destaque no mercado global.

Ao comparar posições na categoria de pesquisa entre 2025 e 2026, a maioria das seis universidades brasileiras mais bem classificadas apresentou perda acumulada desde 2020. De 2025 para 2026, a USP caiu da 81ª para a 82ª posição mundial em pesquisa; a Unicamp, da 327ª para a 340ª; a Unesp, da 428ª para a 450ª; a UFRJ, da 393ª para a 407ª; a UFRGS, da 445ª para a 446ª; e a UFMG, da 480ª para a 484ª.

O recuo foi particularmente pronunciado nas principais instituições fluminenses: a UFRJ perdeu 14 posições no item Pesquisa; a Fiocruz caiu 20, de 634ª para 654ª; a UERJ recuou 17, passando de 833ª para 850ª; e a UFF declinou 23 posições, de 938ª para 961ª. Embora universidades paulistas também tenham perdido posições, as quedas foram, em geral, menos severas entre as líderes do estado.

Os autores da análise observam coincidência temporal entre o enfraquecimento relativo das instituições fluminenses e um período de instabilidade no financiamento estadual à pesquisa. Enquanto a Fapesp manteve trajetória de crescimento e previsibilidade orçamentária, a Faperj enfrentou mudanças institucionais e incertezas associadas ao contexto fiscal e político do Rio de Janeiro. Ainda que não se estabeleçam relações causais diretas, a experiência internacional indica que continuidade institucional, previsibilidade de financiamento e planejamento de longo prazo são fatores importantes para sustentar competitividade científica.

O texto também destaca avanços recentes na esfera federal: o descontingenciamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), resultado da mobilização da comunidade científica e da decisão do Congresso Nacional. No entanto, salienta-se que a disponibilidade de recursos por si só não garante ganhos de competitividade; é necessário que investimentos fortaleçam pesquisa de ponta, infraestrutura, bolsas e formação de pesquisadores. Autores alertam para a necessidade de equilíbrio entre programas de inovação e o financiamento consistente da pesquisa básica de excelência.

O artigo foi publicado originalmente no The Conversation Brasil. Os autores são Claudia Pinto Figueiredo (professora associada do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, UFRJ; Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem — INBEB — e recebe financiamento da CNPq e Faperj), Abilio Afonso Baeta Neves (sociólogo, professor da PUCRS e professor Emérito da UFRGS, e recebe financiamento da CNPq), Concepta McManus (professora titular da UnB e recebe financiamento da CNPq) e Marcelo Alves da Silva Mori (professor titular do Instituto de Biologia da Unicamp e recebe financiamento da CNPq e Fapesp).

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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