Horas antes da convocação, goleiro acompanhou anúncio e ficou fora da lista
Quem: o goleiro Hugo Souza e o lateral-direito Wesley, além de especialistas em comportamento e carreira.
O que: Hugo Souza assistiu, horas antes da convocação oficial da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2026, à divulgação da lista pelo técnico Carlo Ancelotti e não teve seu nome anunciado. No mesmo período, Wesley, que havia sido convocado, sofreu uma lesão no amistoso contra o Egito e foi cortado do torneio.
Quando e onde: no dia da divulgação da relação oficial da seleção para a Copa de 2026; Hugo acompanhou a transmissão ao vivo na câmera do próprio canal no YouTube, cercado por amigos e familiares.
Como: ao serem comunicados em público — um por não ser selecionado, outro por corte por lesão — ambos enfrentaram a necessidade de reorganizar emocionalmente a carreira. Wesley publicou nas redes sociais que encarava o episódio com a cabeça erguida e expectativa de voltar mais forte.
Por quê: especialistas consultados explicam que essas situações espelham frustrações que ocorrem fora dos gramados, como perder uma promoção ou ser reprovado em processos seletivos. O impacto vai além do evento em si quando a pessoa associa o resultado ao próprio valor.
TRANSMISSÃO: YouTube | da câmera do próprio canal (YouTube)
O pesquisador da USP Gustavo Drago, que trabalhou no planejamento e monitoramento de delegações em Pequim, Londres e Rio de Janeiro, destaca que indivíduos submetidos às mesmas pressões reagem de formas distintas. Estudos citados por ele mostram que alguns atletas encaram jogos fora de casa como ameaça, apresentando respostas fisiológicas como aumento do cortisol e insegurança; outros interpretam o ambiente adverso como estímulo e demonstram maior competitividade e tomada de decisão.
Drago ressalta que o sofrimento costuma emergir não apenas pela rejeição, mas pela interpretação que cada pessoa faz dela. Quando a carreira passa a definir a identidade, uma negativa tende a ser vista como prova de incapacidade permanente, em vez de episódio pontual, o que diferencia uma frustração que permite aprendizado de outra que prejudica a autoestima.
O sócio de Auditoria da CLA Brasil, Thiago Brehmer, associa a intensidade emocional ao investimento feito ao longo da trajetória profissional. Ele observa que, no esporte, atletas são acostumados a lidar com cortes e derrotas, e contam com estruturas de suporte — acompanhamento psicológico, controle de carga e descanso — que favorecem a recuperação e a retomada.
Por outro lado, Drago e Brehmer apontam que ambientes corporativos cada vez mais orientados pela alta performance frequentemente não oferecem segurança psicológica equivalente. A exigência constante e a cultura de hiperdisponibilidade podem levar a perfeccionismo, procrastinação, insônia, burnout e redução da criatividade. Para os especialistas, integrar práticas de recuperação e promover segurança emocional são medidas estratégicas para manter a consistência de desempenho a longo prazo.
Fonte: G1


