Receita Federal informou que a arrecadação do governo federal alcançou R$ 239,4 bilhões em setembro de 2026. O montante representa um aumento real de 5,6% na comparação com o mesmo mês de 2025, quando a arrecadação, já corrigida pela inflação, foi de R$ 226,6 bilhões.
Segundo a Receita, o valor é o maior registrado para um mês de setembro desde o início da série histórica em 1995, e o desempenho da arrecadação está ligado a três fatores principais: crescimento da economia brasileira, elevações de tributos implementadas nos últimos anos e a valorização do petróleo no mercado internacional.
Entre as medidas tributárias apontadas como responsáveis pelo incremento estão: aumento da tributação sobre fundos exclusivos (rendimentos de alta renda) e sobre offshores; alterações na cobrança sobre incentivos estaduais (subvenções); elevação do imposto sobre combustíveis aplicada em 2023 e mantida desde então; reoneração gradual da folha de pagamentos; fim de benefícios fiscais ao setor de eventos (Perse); aumento do IOF sobre operações de crédito e câmbio; e maior tributação sobre juros sobre capital próprio.
O preço mais alto do petróleo, influenciado pela guerra entre Estados Unidos e Irã, também elevou receitas como royalties e participação na produção, além de possibilitar uma cobrança adicional sobre exportações, segundo a Receita.
No acumulado do ano, de janeiro a setembro, a arrecadação federal totalizou R$ 2,35 trilhões em valores nominais. Corrigida pela inflação, a soma foi de R$ 2,38 trilhões, o que representa crescimento real de 7% em relação ao mesmo período de 2025, quando a arrecadação corrigida somou R$ 2,23 trilhões. Esse total também é recorde para os nove primeiros meses do ano.
O governo conta com o aumento da arrecadação para tentar cumprir a meta fiscal de 2026, que prevê saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (cerca de R$ 34,3 bilhões). Pelo arcabouço fiscal aprovado em 2023, há uma tolerância de 0,25 ponto percentual em torno da meta, o que permite considerar meta cumprida mesmo com saldo zero ou com superávit de até R$ 68,6 bilhões.
O texto do arcabouço autoriza ainda que o governo exclua R$ 57,8 bilhões de despesas desse cálculo e utilize esses recursos para pagamentos, como precatórios. Na prática, a previsão é que o governo tenha um déficit de R$ 23,3 bilhões em 2026 nos cofres públicos, mesmo que o cálculo oficial de meta apresente resultado positivo. Caso esses números se confirmem, as contas públicas permaneceriam negativas ao longo do terceiro mandato do presidente Lula.
O aumento da tributação sobre o petróleo, em razão da alta do preço do barril, também contribuiu para o recorde da arrecadação.
Fonte: G1


