Bloqueios em massa de contas no WhatsApp registrados a partir de segunda-feira, 3 de agosto de 2026, afetaram usuários em várias regiões do mundo, inclusive no Brasil, e motivaram reclamações sobre banimentos supostamente indevidos. Pessoas ouvidas pelo G1 relatam estar sem acesso a perfis há semanas ou meses e dizem ter perdido arquivos acumulados por mais de dez anos.
O site Downdetector, que monitora falhas e relatos de instabilidade em serviços online, registrou aumento de notificações de usuários que afirmam ter sido suspensos “sem motivo aparente”. Entre as queixas estão a falta de explicações claras sobre os motivos das punições e a demora no retorno de pedidos de revisão feitos pela própria plataforma.
O WhatsApp informou que pode suspender contas quando constatar violação de seus termos, como envio de spam ou aplicação de golpes, e que usuários podem solicitar nova análise do caso. A empresa não se posicionou diretamente sobre as alegações de bloqueios indevidos encaminhadas ao G1.
Perdas relatadas por usuários
O mecânico Dionatam Carteri, de Passo Fundo (RS), relata que sua conta criada em 2015 foi bloqueada no final de julho e que ele perdeu conversas com clientes, fotos de família, documentos e contratos. Segundo Dionatam, parte das relações profissionais depende exclusivamente das mensagens recebidas no aplicativo, e a falta de acesso a esses contatos pode representar perda de renda.
Ao ser suspenso, o usuário vê a mensagem: “Esta conta não pode usar o WhatsApp”. É possível acionar um botão chamado “Solicitar análise” para pedir revisão por alguém da plataforma. Dionatam afirma ter usado essa opção sem obter resposta e, em seguida, recorreu à página de contato do WhatsApp, mas foi informado de que usar outros canais ou contas de terceiros não acelera a revisão.
A massagista identificada pelo nome fictício Débora, de São Paulo, teve a conta no WhatsApp Business suspensa no final de junho. Ela conta que precisou criar novas contas para manter atendimentos, mas enfrentou suspensões intermitentes até que o serviço foi restabelecido em 14 de julho. Débora estima ter perdido metade do faturamento no período em que a conta principal ficou inacessível. Em razão do caso, decidiu processar a Meta, pedindo liminar para reativação do perfil.
O advogado Rafael Barreto, que representa Débora, disse ter enviado notificações extrajudiciais em nome de outros dois clientes banidos, sem retorno da Meta. Segundo ele, há suspensão de contas de forma aparentemente aleatória e sem justificativas suficientes.
Aspecto jurídico e orientações
O advogado especialista em direito digital Luiz Augusto D’Urso explicou que a plataforma pode aplicar penalidades, mas precisa apresentar motivo claro para o banimento. Caso não haja elementos razoáveis para justificar a suspensão, é provável que a decisão seja revista pelo Judiciário e o acesso restabelecido. Ele ressaltou também que o Código de Defesa do Consumidor não detalha como as empresas devem organizar canais de recurso em situações como essa.
D’Urso orienta que usuários primeiro usem os recursos oferecidos pelo WhatsApp; se não houver resposta, podem registrar reclamação em consumidor.gov.br, no Procon ou enviar notificação extrajudicial antes de ajuizar ação judicial.
Em comunicado sobre requisitos de funcionamento, o WhatsApp já havia informado que deixará de operar em alguns celulares mais antigos a partir de setembro.
Fonte: G1


