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sexta-feira, junho 12, 2026

Castigos físicos na infância associam-se a pior rendimento escolar e maior agressividade na adolescência

Estudo da University College London relaciona punições físicas na infância a comportamentos agressivos e notas inferiores

Crianças submetidas a punições físicas na primeira infância apresentam maior probabilidade de exibir comportamento agressivo e obter desempenho escolar inferior na adolescência, aponta relatório recente de pesquisadores da University College London (UCL). De acordo com o levantamento, aplicar castigos físicos aos 3, 5 e 7 anos está ligado a um aumento de 40% na probabilidade de praticar bullying aos 14 anos.

Além disso, o estudo verificou que, aos 14 anos, houve 35% mais chance de os jovens baterem, empurrarem ou agredirem alguém e 33% mais probabilidade de adotarem comportamentos de risco em interação com outras pessoas. A pesquisa também identificou associação entre punição física na infância e notas mais baixas em disciplinas como Inglês e Matemática.

“Nossos resultados confirmam evidências anteriores de que a punição física não traz benefícios e está associada a consequências prejudiciais para o desenvolvimento e o bem-estar infantil”, afirmou Anja Heilmann, pesquisadora da área de Epidemiologia e Saúde Pública da UCL e autora principal do estudo, em comunicado.

Como foi feito o estudo

O trabalho combinou abordagens qualitativas e quantitativas. Na etapa qualitativa, os pesquisadores investigaram a prevalência do uso de punição física na criação de crianças no Reino Unido e sua relação com fatores comportamentais, cognitivos e educacionais. Na parte quantitativa, foram utilizados dados do Millennium Cohort Study, estudo longitudinal nacionalmente representativo liderado pela UCL que acompanha cerca de 19 mil crianças nascidas no Reino Unido entre 2000 e 2002.

Segundo os autores, as análises se basearam em informações coletadas regularmente desde os nove meses de idade até os 17 anos para examinar como a punição física se relacionava com características familiares e desfechos ao longo da vida.

Limitações

Os pesquisadores destacam que, por se tratar de estudo observacional, não é possível afirmar relação de causa e efeito, apenas associação. As análises controlaram diversas variáveis — incluindo características socioeconômicas e familiares —, mas os autores reconhecem que fatores não medidos podem ter influenciado as associações encontradas.

Implicações legais

Com base nos resultados, os autores defendem mudanças nas legislações de países como Inglaterra e Irlanda do Norte, onde a punição física de crianças não é tratada como crime. “As crianças têm o direito de crescer livres de todas as formas de violência. Não é aceitável que, em 2026, crianças da Inglaterra e da Irlanda do Norte tenham menos proteção legal contra danos físicos do que os adultos”, afirmou Heilmann.

No Brasil, a legislação prevê que qualquer tipo de agressão a crianças, física ou psicológica, pode ser considerada crime. A Constituição Federal garante o direito à dignidade de crianças e adolescentes, vedando exposição à violência, e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) busca proteger a integridade física e psicológica desse grupo.

G1 – Fonte

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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