22.6 C
Uberlândia
sábado, outubro 17, 2026

Congresso promulga emenda que acaba com a escala 6×1 e reduz jornada para 40 horas em etapas

O que foi aprovado e quando passa a valer

Na sexta-feira, 16 de outubro de 2026, o Congresso Nacional promulgou uma emenda constitucional que proíbe a adoção da escala 6×1 como regime regular de trabalho, assegura dois dias de descanso remunerado por semana e reduz, de forma gradual, o limite máximo de jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial. A emenda preserva o limite de oito horas diárias e não altera outros direitos trabalhistas já vigentes.

A aplicação ocorrerá em duas etapas: a primeira começa em 16 de dezembro de 2026, quando o teto semanal cairá para 42 horas e a garantia dos dois dias de repouso passa a vigorar; a segunda etapa entra em vigor em 16 de dezembro de 2027, com a redução definitiva para 40 horas semanais.

Quem será atingido e exceções

A maior parte dos trabalhadores com carteira assinada ficará submetida às novas regras, incluindo empregados da iniciativa privada e terceirizados. Estima-se que cerca de 14,8 milhões de brasileiros que atualmente cumprem escala 6×1 sentirão o impacto mais imediato. Também poderão se beneficiar profissionais que hoje trabalham de segunda a sexta e fazem jornadas superiores a oito horas diárias para completar 44 horas semanais.

Algumas situações ficaram de fora ou receberam tratamento diferenciado: profissionais considerados “hipersuficientes” (com diploma superior e remuneração superior a 2,5 vezes o teto do INSS, atualmente acima de R$ 21,1 mil) não ficam obrigatoriamente sujeitos ao limite de 40 horas nem ao controle formal de jornada, embora mantenham o direito aos dois dias de descanso. Atividades contínuas e essenciais — como hospitais, emergências, segurança pública, transporte coletivo e limpeza urbana — poderão adotar escalas específicas (por exemplo, 12×36), desde que respeitados os períodos mínimos de descanso previstos em lei e acordos coletivos.

Profissionais contratados como pessoa jurídica e trabalhadores autônomos não são diretamente alcançados pelas novas regras da CLT; microempreendedores individuais (MEIs) também não terão mudanças automáticas em sua rotina, embora empregadores que sejam MEIs devam cumprir as regras para seus funcionários. A emenda prevê a elaboração de uma lei complementar para transição de MEIs, micro e pequenas empresas.

Horas extras e banco de horas continuam permitidos e poderão ser usados conforme a legislação vigente.

Natureza jurídica e possibilidade de reversão

A alteração foi incorporada ao artigo 7º da Constituição Federal, tornando-se direito constitucional ao lado de garantias históricas como férias, 13º salário e FGTS. Por essa razão, eventuais mudanças exigiriam nova proposta de emenda constitucional, aprovada por três quintos dos parlamentares em dois turnos nas duas Casas, o que torna a reversão juridicamente mais complexa do que a alteração de uma lei ordinária.

Apesar da maior proteção jurídica, o debate sobre modelos alternativos segue vivo. A PEC 12/2026, do senador Rogério Marinho (PL-RN), propõe um sistema de jornada flexível com pagamento proporcional às horas trabalhadas e maior ênfase em contratos individuais; lideranças do PL indicaram intenção de retomar essa discussão a partir de 2027.

Como foi a tramitação e a votação

A proposta reuniu ao longo da última década diversas iniciativas sobre redução de jornada. No processo final, o deputado Leo Prates (Republicanos-BA) foi relator e consolidou o texto aprovado. Na Câmara dos Deputados, a PEC recebeu 472 votos favoráveis e 22 contrários no primeiro turno, e 461 a 19 no segundo — muito acima dos 308 votos necessários para alterar a Constituição. No Senado, a tramitação foi rápida: o relator na CCJ, Omar Aziz (PSD-AM), apresentou parecer favorável e o texto foi aprovado em ambos os turnos por 75 votos a favor e 1 contra; o único voto contrário foi do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). O senador Sergio Moro (PL-PR) registrou presença, mas não participou das votações.

Quem se posicionou contra e impactos econômicos apontados

Setores empresariais e parte do Congresso manifestaram resistência, criticando a forma pela qual a mudança foi incorporada à Constituição e alertando para riscos financeiros, especialmente para pequenos negócios. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que 70% das indústrias acreditam que a medida pode reduzir competitividade e que 68% veem risco de queda de produtividade, estimando impacto de até R$ 267,2 bilhões nos custos de produção e aumento médio de 6,2% nos preços ao consumidor. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) calculou aumento próximo de 20% nos custos operacionais para estabelecimentos que funcionam seis dias por semana. Entidades como a Fiemg e a ABPA também expressaram preocupações sobre efeitos na produção, oferta de produtos e empregos.

Origens do movimento pelo fim da escala 6×1

A mobilização ganhou força a partir de um vídeo publicado em setembro de 2023 pelo balconista de farmácia Rick Azevedo, que relatou dificuldades de conciliar vida pessoal com a rotina de trabalho 6×1. O desabafo viralizou, motivou relatos semelhantes e impulsionou a atuação parlamentar sobre o tema. A partir desse engajamento nas redes, a pauta chegou ao Congresso e se tornou central no debate público. Impulsionado pela visibilidade da campanha, Rick Azevedo foi eleito vereador no Rio de Janeiro e, posteriormente, deputado federal.

Para mais detalhes, consulte a reportagem original no G1: https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2026/10/17/escala-6×1-acabou-e-agora-perguntas-respostas.ghtml

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também