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domingo, maio 31, 2026

Crédito direcionado cresce no terceiro mandato de Lula e eleva pressão sobre a Selic, diz BC

O volume de crédito direcionado aumentou no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo dados do Banco Central, medida que tem contribuído para a manutenção da taxa Selic em patamar elevado, hoje em 14,5% ao ano. O BC aponta que a expansão desse tipo de empréstimo reduz a efetividade da política monetária e pressiona a taxa básica para cima.

Na série histórica do BC, iniciada em março de 2011, a taxa média do crédito direcionado foi de 9,3% ao ano até março de 2026, enquanto a taxa média dos empréstimos livremente contratados atingiu 38,8% ao ano no mesmo período. Em março de 2026, as linhas subsidiadas representavam 43,1% do total do mercado, o maior patamar desde o fim de 2019.

O Comitê de Política Monetária (Copom) registrou em ata, na reunião de 29 de abril, que o aumento do crédito direcionado combinado com incertezas sobre a estabilização da dívida pública pode elevar a taxa de juros neutra da economia, prejudicando a potência da política monetária e encarecendo o custo da desinflação em termos de atividade econômica. Em termos reais, descontada a projeção de inflação para os próximos 12 meses, a Selic está entre as mais altas do mundo.

No terceiro mandato de Lula, o avanço do crédito com juros favorecidos se intensificou à medida que se aproximam as eleições, com anúncios de diversas linhas mais baratas voltadas a setores específicos, entre eles: máquinas agrícolas; programa Minha Casa, Minha Vida; taxistas e motoristas de aplicativo; Plano Safra; financiamento para caminhões e ônibus; microempreendedores de baixa renda; programas para setores afetados por aumentos de tarifas e pela guerra no Oriente Médio; iniciativas de reforma de imóveis; renegociação de dívidas (Desenrola 2.0); nova política industrial; novo modelo de crédito imobiliário para pessoas físicas; Fundo Clima; Fundo de Florestas Tropicais; e renegociação de dívidas agropecuárias em curso.

Economistas consultados destacam que a estratégia de aumentar linhas subsidiadas em ano eleitoral dificulta a redução da taxa básica e limita a queda das taxas para outros segmentos. O Banco Central observa também que, em comparação com países similares, o Brasil apresenta participação elevada de crédito direcionado — cerca de 43% do total, contra 26% no México e a maior parte dos países com percentual abaixo de 5%.

Entidades do setor financeiro afirmam que maior presença de crédito com juros abaixo de mercado reduz a capacidade da política monetária de atuar e pode gerar distorções na alocação de recursos. Além disso, juros básicos elevados contribuem para o aumento da dívida pública: o endividamento está próximo de 80% do PIB, nível mais alto em cinco anos e similar ao verificado na Zona do Euro, o que também exerce pressão adicional sobre as taxas de juros.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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