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sábado, setembro 12, 2026

Crise industrial na Argentina fecha fábricas e elimina empregos, pressionando o governo Milei

Buenos Aires. A retração na indústria argentina tem levado ao fechamento de fábricas, demissões em massa e aumento da pressão sobre o governo do presidente Javier Milei. O cenário é ilustrado pela fábrica de calçados Kioshi, que saiu de 120 empregados em 2023 para apenas 14 trabalhadores atualmente, com máquinas paradas e estoque acumulado.

Empresários e sindicatos apontam para uma combinação de queda do consumo interno e aumento das importações como causas centrais da crise. A União Industrial Argentina (UIA) solicitou na semana passada intervenções do governo diante da abertura econômica e da perda de cerca de 90 mil empregos na indústria desde agosto de 2023, segundo a entidade.

Dados oficiais divulgados na terça-feira (8) mostram que, em junho, a indústria operava com aproximadamente 40% de capacidade ociosa e que a produção manufatureira recuou 5% entre junho e julho, o maior declínio em 16 meses. No mesmo dia em que a UIA apresentou suas reivindicações, o presidente Milei afirmou que sua política de austeridade e desregulamentação “não é negociável”.

Desde a posse de Milei, em dezembro de 2023, o setor registra o fechamento de cerca de 30 mil empresas, segundo levantamentos do segmento industrial. O presidente afirma que vagas perdidas em setores menos competitivos serão compensadas por atividades capazes de concorrer internacionalmente, mas empresários contestam essa visão, citando a migração de trabalhadores para empregos informais e plataformas digitais.

O fechamento da unidade da Clariant em Zárate, em 2025, é outro exemplo: a planta empregava 42 pessoas e foi desativada após a empresa optar por importar insumos de sua fábrica no Brasil; apenas dois demitidos conseguiram recolocação formal, enquanto a maioria passou a atuar em trabalhos informais, segundo relatos de ex-funcionários.

Apesar de a economia argentina ter registrado crescimento em 2025 impulsionada por hidrocarbonetos, mineração e agronegócio, a retração do comércio e da indústria afeta grandes centros urbanos, onde vive a maioria da população. Desde 2023, o país perdeu mais de 240 mil empregos formais no setor privado.

O ministro da Economia, Luis Caputo, defendeu a abertura comercial como medida em benefício da população, em resposta às demandas industriais. Por sua vez, empresários como Alejandro Mayer, vice-presidente da fábrica de circuitos Ernesto Mayer, apontam para dificuldades competitivas: desvalorização cambial relativa, juros altos e carga tributária que elevam o custo dos produtos locais frente a concorrentes estrangeiros.

O governo destaca a redução da inflação, que caiu de níveis de três dígitos para 33,8% na comparação interanual em julho, resultado apresentado como um ganho da gestão. Líderes industriais, como o presidente da UIA, Martín Rappallini, pedem que a avaliação econômica considere também o nível de atividade e a geração de emprego.

Pequenas fábricas relatam queda de encomendas e cortes de jornada; no caso da Martin Blust, que produz cordas para instrumentos e emprega dez pessoas, a unidade fecha às sextas-feiras por falta de demanda. Nas fábricas que permanecem abertas, trabalhadores solicitam adiantamentos salariais para cobrir gastos de transporte e demonstram frustração diante da instabilidade.

Pesquisas citadas por setores sociais mostram que emprego e salário superaram a inflação como principais preocupações da população, um indicador relevante para o governo de Milei, que deve disputar a reeleição em 2027.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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