O setor antitruste do Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou em 15 de junho de 2026 a aprovação da compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance Corp, em uma operação avaliada em US$110 bilhões. Segundo o órgão, a transação não constitui ameaça à concorrência nos segmentos de streaming, na televisão tradicional nem no mercado cinematográfico.
O aval federal representa mais um passo regulatório favorável à Paramount, que busca reduzir a possibilidade de contestações judiciais por parte de estados americanos. Em abril, a empresa havia solicitado à Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC) autorização para investimentos estrangeiros que apoiam a compra.
Senadores norte-americanos manifestaram preocupação com a participação de fundos soberanos do Oriente Médio e de empresas chinesas no pacote de financiadores do negócio. A FCC ainda não informou sua decisão sobre a solicitação da Paramount.
Analistas consultados vinham projetando que o Departamento de Justiça não contestaria o acordo, apontando conexões políticas envolvendo a Paramount. O pai do presidente-executivo da companhia, David Ellison, é o bilionário e cofundador da Oracle, Larry Ellison, que desenvolveu proximidade com o presidente Donald Trump. Além disso, a Paramount contratou ex-funcionários do governo Trump, segundo observadores do mercado.
Em sua defesa, a Paramount afirmou que a operação não levanta questões antitruste e que a empresa resultante da fusão intensificará a concorrência frente à Disney e à Netflix, pressionando preços e oferta de conteúdo no setor.
Por outro lado, profissionais da indústria cinematográfica e televisiva — incluindo atores, diretores, roteiristas e produtores — expressaram receios de que a fusão possa reduzir empregos no setor e diminuir a diversidade de narrativas oferecidas ao público.
Fontes ouvidas pela Reuters na semana anterior informaram que os estados da Califórnia, de Nova York e outras unidades federativas dos EUA estão preparando uma ação judicial com o objetivo de bloquear a operação.
O Departamento de Justiça divulgou o posicionamento sobre a transação em comunicado oficial, reiterando que, após análise, não identificou impactos anticoncorrenciais nos mercados avaliados.
Fonte: G1


