Expansão do setor contrasta com perda de poder de compra
Celebrado em 10 de julho de 2026, o Dia da Pizza evidencia uma contradição na economia do país: o setor de pizzarias segue em expansão — com média de 13 novas unidades por dia — enquanto a compra de uma pizza fica mais difícil para parte das famílias. A constatação consta do Índice Mozarela, elaborado pela Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatec) para avaliar o poder de compra nas regiões da capital paulista.
O indicador, inspirado no Índice Big Mac, calcula quantas pizzas de muçarela a renda familiar média de cada distrito consegue adquirir considerando os preços praticados nas pizzarias locais. Segundo o levantamento, a mediana do número de pizzas mensais compráveis caiu de 131 em 2021 para 120 em 2025 nos distritos de São Paulo.
Embora restrito à capital, o estudo serve como termômetro para o mercado nacional porque São Paulo concentra o maior número de pizzarias do país e é considerada a principal referência do segmento.
Entre as causas da perda de poder de compra, os autores apontam o aumento dos custos dos insumos, em especial da muçarela, cujo preço subiu quase 40% entre 2021 e 2025. Ao mesmo tempo, os rendimentos do trabalho não acompanharam a elevação do custo de vida, observa o pesquisador Rodolfo Ribeiro, um dos responsáveis pelo Índice Mozarela, ressaltando que o quadro afeta com mais intensidade as famílias de menor renda.
O impacto é desigual entre bairros. Em Alto de Pinheiros, a renda média permite a compra de 313 pizzas por mês, o maior potencial da cidade; em Anhanguera, a capacidade cai para 73 pizzas mensais. Também há grande variação nos preços cobrados. Pinheiros, Moema e Jardim Paulista registram as medianas mais altas — R$ 102,59, R$ 95,53 e R$ 93,49, respectivamente — enquanto Pedreira, José Bonifácio e Vila Jacuí têm as mais baixas, com R$ 39,74, R$ 40,93 e R$ 41,15.
Os pesquisadores explicam que, em regiões periféricas, a concorrência se dá basicamente pelo preço, o que limita a margem para ingredientes mais caros ou diferenciais no serviço. Nos bairros de maior renda, o maior poder aquisitivo permite aos empresários diversificar cardápios e estratégias comerciais, ampliando as opções oferecidas ao consumidor.
Apesar da queda do poder de compra, o setor de pizzarias teve crescimento recorde em 2025. Dados da Associação Pizzarias Unidas (Apubra) mostram que o país encerrou o ano com 40.332 pizzarias ativas, alta de 10,29% em relação a 2024, e registrou o menor número de fechamentos da última década — 2.969 empresas —, queda de 43,8% na comparação com 2024.
O ritmo seguiu acelerado em 2026: entre janeiro e maio foram inauguradas 1.990 novas pizzarias, aumento de 6,1% sobre o mesmo período do ano anterior — o equivalente, segundo a Apubra, a uma nova pizzaria a cada duas horas. Gustavo Cardamoni, presidente da entidade, afirma que a expansão atrai novos empreendedores e aponta deslocamento do crescimento para além dos grandes centros: o Sudeste ainda concentra 51% das pizzarias, com São Paulo como principal polo, mas cerca de três em cada quatro estabelecimentos inaugurados em 2026 abriram fora do estado paulista. Norte e Nordeste lideram esse avanço proporcionalmente.
Para a Apubra, a combinação da redução de fechamentos com o aumento de inaugurações indica maior maturidade do mercado, com foco em profissionalização, gestão eficiente e conhecimento do mercado local como fatores decisivos para consolidar operações.
Fonte: G1


