Hora registrada: 9h05 (Brasília UTC-3)
O dólar comercial iniciou a sessão desta terça-feira (2) em baixa de 0,26%, cotado a US$ 5,0094 por volta das 9h05. O principal índice acionário do país, o Ibovespa, passou a negociar a partir das 10h. Os mercados locais reagiam à proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre uma ampla lista de produtos brasileiros, com base na Seção 301 da legislação comercial americana.
Na segunda-feira, o governo dos EUA concluiu uma investigação que apontou práticas brasileiras classificadas como “irrazoáveis” e prejudiciais ao comércio americano. Em resposta, Washington sugeriu a cobrança da sobretaxa sobre a maior parte das exportações brasileiras, embora a medida ainda não esteja em vigor: antes de uma decisão definitiva haverá consultas públicas e uma audiência prevista para julho, e a expectativa é de que o veredito saia até meados do próximo mês.
Algumas mercadorias estratégicas para o país ficariam fora da tarifa proposta, segundo a avaliação preliminar: café, frutas, carnes, aeronaves, fertilizantes, produtos farmacêuticos e terras raras estariam isentos.
Além da pressão americana, investidores acompanhavam o impasse diplomático entre EUA e Irã. Na segunda-feira, os dois países trocaram ataques que complicaram as tentativas de negociar um cessar‑fogo. O Irã interrompeu o diálogo com os EUA em reação a novos ataques israelenses no Líbano; no sábado, tropas israelenses tomaram o castelo histórico de Beaufort, em incursão considerada a mais profunda em 26 anos. Autoridades iranianas teriam condicionado um acordo a um cessar‑fogo no Líbano. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ter conversado com o primeiro‑ministro israelense Benjamin Netanyahu e com representantes do Hezbollah, e disse que um cessar‑fogo estaria em vigor, com Netanyahu concordando em não avançar tropas em direção a Beirute.
Com as tensões aparentemente mais contidas, a pressão sobre o petróleo diminuiu ao longo da tarde: o Brent teve variação positiva de 4,61% perto das 16h, cotado a US$ 95,32 o barril, enquanto o WTI subiu 5,98%, a US$ 92,58.
Na esfera doméstica, o mercado financeiro elevou outra vez a projeção para a inflação de 2026. O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, mostrou alta da expectativa de 5,04% para 5,09% — a 12ª semana seguida de revisão para cima —, motivada principalmente pelo aumento do preço do petróleo, que pressiona os combustíveis. As estimativas para o PIB de 2026 passaram de 1,89% para 1,90% e a projeção para o dólar ao fim de 2026 teve leve ajuste, de R$ 5,17 para R$ 5,16.
Indicadores e acumulados: o dólar apresenta no acumulado da semana -0,39%, no mês -0,39% e no ano -8,49%. O Ibovespa registra no acumulado da semana -0,91%, no mês -0,91% e no ano +6,88%.
No exterior, por volta das 15h30 os índices de Wall Street avançavam — Dow Jones +0,02%, S&P 500 +0,46% e Nasdaq +0,69%. As bolsas europeias recuaram, com o STOXX 600 em baixa de 0,8% aos 621,24 pontos; entre os principais mercados, DAX -0,40%, CAC-40 -0,45% e Financial Times -0,68%. Na Ásia, houve desempenho misto: Xangai -0,27% (4.057 pontos), CSI300 -0,98% (4.844 pontos), Hang Seng +0,86% (25.398 pontos), Nikkei +1,4% (67.231 pontos) e Kospi +3,68% (8.788 pontos).
Fonte: G1


