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terça-feira, julho 7, 2026

El Niño pode reduzir oferta de alimentos e pressionar preços nos supermercados brasileiros

Economistas alertam que o fenômeno climáticp El Niño pode reduzir a oferta de diversos alimentos no Brasil e elevar os preços nas gôndolas. Pesquisadores e representantes do setor agrícola afirmam que, caso o evento se confirme com intensidade, haverá impacto sobre janelas de plantio e sobre a colheita, com reflexo nos custos ao consumidor.

A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima mais de 60% de probabilidade de ocorrência de um episódio muito forte entre novembro e janeiro. Segundo especialistas consultados, os primeiros efeitos devem se manifestar nas hortaliças, por serem mais sensíveis às variações climáticas.

Quem e o que pode ser afetado

Relatos de consultorias e associações apontam milho, café, frutas, laranja, cana-de-açúcar, trigo e arroz entre os principais produtos com risco de queda de oferta. O leite também corre risco dependendo do volume de chuva no Sul do país. Para o Centro-Oeste e o Norte, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica que a pecuária pode ser a atividade mais prejudicada por falta de água para pastagens.

O Ministério da Fazenda deve revisar para cima a previsão oficial de inflação de 2026 em razão do impacto esperado nos preços dos alimentos. Em maio, a projeção oficial era de 4,5%.

Impactos por produto

Café: O El Niño tende a provocar chuvas irregulares e ondas de calor que aumentam o risco de florescimento fora de época, aborto de flores e formação de grãos menores, além de perda de qualidade no arábica. A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) informou preocupação com a safra projetada, e seu diretor executivo ressaltou que, em cenário de El Niño mais intenso, a produção de 2027 poderia cair cerca de 25%. Chuvas já registradas em áreas produtoras retardaram a colheita do conilon, elevando risco de pragas e fungos.

Milho: Estudos do Itaú BBA indicam queda média global de produtividade em anos de El Niño, na ordem de 4%, especialmente em regiões tropicais. No Brasil, a segunda safra costuma ser a mais afetada, já que atrasos na colheita da soja reduzem a janela ideal para o plantio do milho, levando produtores a reduzir área ou trocar pelo sorgo.

Carne e leite: A alta do milho pode elevar os custos da ração e, consequentemente, pressionar o preço da carne. A menor disponibilidade de pastagens e o estresse térmico nos animais também podem prejudicar a produção de leite e o ganho de peso de bovinos para abate.

Frutas e hortaliças: No Sul, chuvas excessivas podem causar podridão e perda de qualidade em culturas como cebola, batata, tomate e cenoura. A maçã e a uva podem sofrer na florada ou na formação de frutos. Em contraste, no Nordeste o tempo mais seco e o calor podem favorecer melão e melancia em áreas irrigadas. Para a laranja, temperaturas acima da média na região paulista podem prejudicar a florada entre setembro e novembro, agravando uma expectativa de safra já menor.

Cana-de-açúcar: Previsões de chuva fora de época no Centro-Sul podem reduzir a qualidade da cana e atrasar o acúmulo de sacarose, enquanto no Norte e Nordeste seca e calor podem causar estresse hídrico e térmico nas plantações.

Produtores, analistas e órgãos públicos acompanham a evolução do fenômeno para ajustar previsões de produção e projeções econômicas.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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