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sábado, setembro 26, 2026

Empresários de Brasil e EUA pedem ampliar comércio em setores como data centers, automóveis e minerais críticos

Empresários enviam carta cobrando avanço nas negociações para evitar tarifas

Associações que representam o setor privado do Brasil e dos Estados Unidos pediram, em carta pública, a ampliação das trocas comerciais entre os dois países em áreas como data centers, automóveis e minerais críticos. O documento foi assinado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (AmCham) e pela US Chamber of Commerce, em meio às discussões sobre proposta de aplicação de tarifas adicionais a produtos brasileiros no mercado americano.

O texto foi dirigido a autoridades dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e de Donald Trump, incluindo os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e representantes norte-americanos Marco Rubio (secretário de Estado) e Jamieson Greer (representante comercial da Casa Branca). As entidades pedem medidas concretas de curto prazo que possam contribuir para uma solução negociada no âmbito da investigação da Seção 301 conduzida pelos EUA e evitar a imposição de tarifas adicionais.

Entre as propostas apresentadas no documento estão a ampliação do acesso a mercados selecionados — com menção a segurança energética e centros de dados —, o aprofundamento da cooperação regulatória em setores como o automotivo e o farmacêutico, o apoio a uma moratória da Organização Mundial do Comércio sobre transmissões eletrônicas, a aceleração do exame de patentes e a cooperação em minerais críticos.

A CNI estima que a eventual aplicação do chamado “tarifaço” atingiria cerca de 4,2 mil produtos brasileiros exportados para os EUA, com impacto correspondente a US$ 15 bilhões. O prazo para uma definição do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) é 15 de julho, data em que a proposta pode avançar para imposição de tributos ou ser revista mediante negociações.

Em resposta à carta, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil agradeceu as sugestões do setor privado e afirmou que permanece empenhado no diálogo e na negociação com as autoridades norte-americanas, processo que, segundo o Itamaraty, já dura um ano.

Nos últimos dias o USTR abriu fase de audiências públicas da investigação, reunindo representantes de associações empresariais dos setores de café, arroz, açúcar, etanol de milho, ferro-gusa, rochas ornamentais, madeira, papel, calçados, mel e propriedade intelectual. O órgão americano propôs uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, mas incluiu uma lista ampla de exceções que podem ficar isentas, como café, certas carnes, frutas, fertilizantes, medicamentos, aeronaves e minerais estratégicos.

O Itamaraty também mapeou 43 empresas e associações comerciais norte-americanas que pediram ao órgão americano que não tarifasse determinados produtos brasileiros, argumentando ausência de substitutos domésticos e risco de aumento de custos para consumidores e indústrias dos EUA que usam esses itens como insumos.

Representantes da AmCham, incluindo o presidente Abrão Neto, alertaram que a aplicação de novas tarifas poderia ser danosa para ambas as economias, com impacto negativo sobre produtores e consumidores americanos e perda de competitividade das exportações brasileiras num mercado considerado estratégico.

O processo do USTR cita, entre as alegações contra o Brasil, fatores como o funcionamento do PIX, decisões judiciais envolvendo redes sociais, acordos comerciais com outros países, falhas no combate ao desmatamento ilegal, barreiras ao etanol americano, questões de proteção à propriedade intelectual e deficiências no enfrentamento da corrupção.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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