Alunos sepultam esqueleto identificado como humano e de provável origem indiana
Estudantes de uma escola no centro da Alemanha realizaram o enterro de um esqueleto que era utilizado nas aulas de biologia após descobrirem que o modelo pertencia a uma pessoa real. O exemplar, apelidado de Niran pelos alunos, não era fabricado em plástico e, segundo apurou a turma, provavelmente corresponde a um homem procedente da Índia.
O caso chamou a atenção para um comércio histórico de corpos e ossos humanos que remonta ao período colonial britânico e se estendeu por quase dois séculos. Com os avanços das pesquisas médicas nos séculos 18 e 19, aumentou a procura por materiais anatômicos, e instituições de ensino passaram a utilizar corpos para estudo. Em diversos países ocidentais, incluindo os Estados Unidos, esse material vinha de “corpos não reclamados” de pessoas em situação de pobreza e de condenados à morte, prática que gerou forte reação social e religiosa na época, incluindo revoltas.
Pesquisas indicam que essa prática persistiu por décadas; há registros de que a remessa de esqueletos originados na Índia prosseguiu até, pelo menos, 1985. Um estudo realizado em Hamburgo aponta que cerca de 40% das escolas ainda utilizam, em suas aulas, esqueletos desse tipo.
Ao tomar conhecimento da provável origem de Niran, a turma alemã discutiu a história do esqueleto em aulas de biologia e também em aulas de ética. Com o apoio da professora e do serviço funerário local, os estudantes organizaram um sepultamento formal para o esqueleto, proporcionando um enterro público ao material que vinha sendo usado nas atividades escolares.
O enterro em si ocorreu na cidade onde a escola está localizada e envolveu a coordenação entre a direção da instituição, o corpo docente e o serviço funerário municipal. A ação foi apresentada pelos alunos como uma forma de encerrar o uso do esqueleto nas aulas da escola.
Fonte: G1


