24.6 C
Uberlândia
sábado, setembro 26, 2026

Fifa enfrenta críticas por uso ampliado de sensores, IA e VAR na Copa do Mundo de 2026

Quem: Fifa, árbitros responsáveis pelo VAR, técnicos, jogadores, federações e especialistas em tecnologia.

O que: A aposta da Fifa em sensores, inteligência artificial e na ampliação do papel do Árbitro Assistente de Vídeo (VAR) tornou-se foco de controvérsia na Copa do Mundo de 2026, com reclamações sobre excesso de interferência, aplicação inconsistente e teorias de favorecimento de seleções ou atletas.

Quando e onde: Polêmicas ocorreram durante a edição de 2026 do torneio, em partidas realizadas desde as fases iniciais até as oitavas de final.

Como: A Fifa e o chefe de arbitragem, Pierluigi Collina, ampliaram as situações sujeitas a revisão pelo VAR em parceria com o International Football Association Board (IFAB), incluindo quatro novas categorias de revisão. Além disso, sensores presentes em equipamentos e sistemas de análise por IA passaram a fornecer dados que influenciaram decisões em campo.

Por que: A intenção da entidade era reduzir erros claros e evidentes na arbitragem, objetivo do VAR desde sua criação. No entanto, críticos afirmam que o maior alcance das intervenções e a sensibilidade dos sensores acabam por corrigir jogadas em áreas de interpretação ou por identificar contatos mínimos que não alteraram o lance de forma perceptível.

Entre os casos que alimentaram o debate está a expulsão do atacante americano Folarin Balogun, mostrada pelo árbitro Raphael Claus, episódio que chegou a receber atenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Também gerou reclamação a partida das oitavas de final entre Egito e Argentina, quando um gol do Egito foi anulado após revisão por falta ocorrida em outra parte do campo, e um pedido de pênalti não foi concedido — reação que levou o técnico Hossam Hassan a dizer que a situação não era justa.

Collina defendeu as decisões em entrevista, afirmando que não há um parâmetro fixo de distância ou de tempo entre uma falta e o gol que impeça a intervenção do VAR, e que uma infração deve ser revista mesmo que não tenha sido vista pelo árbitro de campo.

Casos envolvendo sensores também repercutiram. Na partida entre Croácia e Portugal, o gol de empate apontado por Josko Gvardiol nos acréscimos foi anulado após o VAR registrar, por meio de sensores, um leve toque de Igor Matanovic antes da bola chegar ao defensor — contato tão sutil que não foi percebido a olho nu e que, segundo a Fifa em redes sociais, o sistema consegue identificar até mesmo toques muito leves, possivelmente no cabelo do jogador.

Jogadores e federações manifestaram descontentamento. O meia croata Luka Modric criticou o uso em situações de interpretação, afirmando que a tecnologia tem sido aplicada de forma incorreta ou seletiva. A Federação Croata de Futebol (HNS) enviou ofício à Fifa pedindo esclarecimentos e classificou o episódio como “um abuso da tecnologia”.

Pesquisadores que acompanharam o torneio também ponderaram sobre a reação do público. O especialista Brennan Klein, da Universidade Northeastern, disse que, embora seja possível que redes maiores de câmeras e IA assumam decisões em tempo real, os torcedores parecem rejeitar intervenções crescentes e demonstram desaprovação nas arquibancadas.

O uso ampliado do VAR e a integração de sensores e IA marcaram a Copa de 2026 por provocar debates intensos sobre critérios, transparência e limites da tecnologia na arbitragem, mantendo o tema entre os principais entraves do torneio.

Leia a matéria original no G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também