Brasília, 2 de julho de 2026 — O Ministério da Fazenda pretende revisar para cima sua estimativa oficial da inflação para 2026 em razão dos efeitos esperados do fenômeno climático El Niño, informou a secretária de Política Econômica, Débora Freire, em entrevista ao portal Jota nesta quarta-feira (2).
Em maio, a projeção oficial do governo para a inflação de 2026 estava em 4,5%. Segundo Freire, há hoje maior convicção de que o El Niño terá intensidade elevada, o que reduz a expectativa de desaceleração dos preços no segundo semestre e gera um risco de alta para a inflação no ano.
A secretária explicou que a nova estimativa do Ministério da Fazenda deve superar o teto da meta de inflação estabelecido pelo Banco Central, de 4,5%, embora permaneça abaixo da projeção do mercado financeiro registrada no boletim Focus do próprio BC, que aponta expectativa de 5,33% para 2026.
Freire também afirmou que, por ora, o governo mantém a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano em 2,3%, número divulgado em maio. Ela ressaltou, entretanto, que os dados estão em revisão e podem ser ajustados antes da divulgação oficial prevista para este mês.
Sobre o cenário externo, a secretária destacou que a alta das taxas de juros nas principais economias dificulta a retomada do crescimento no Brasil em 2027. A expectativa de uma Selic mais elevada do que a antecipada anteriormente pode, segundo ela, frear o ritmo da atividade econômica.
No campo fiscal, Débora Freire avaliou que o arcabouço fiscal vem cumprindo seu papel ao melhorar gradualmente as contas públicas. A previsão do governo é de convergência da dívida pública no médio prazo, e não já no próximo ano.
Freire apontou desafios que permanecem, incluindo a necessidade de controlar a expansão das despesas obrigatórias — como aposentadorias e outros benefícios — dentro do limite de aumento real de 2,5% ao ano previsto pelo arcabouço fiscal. Ela também ressaltou a importância de ampliar a formalização do emprego, o que elevaria a arrecadação de contribuições para a Previdência.
As declarações foram prestadas em entrevista ao portal Jota e confirmam que ajustes nas projeções macroeconômicas do governo estão em curso diante do cenário climático e das condições financeiras globais.
Fonte: G1


