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quinta-feira, julho 2, 2026

Ministro diz que “atropelos” de terceiros complicam negociações com EUA sobre tarifas; prazo é 15 de julho

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quinta-feira (2) que interferências de terceiros têm prejudicado as negociações entre Brasil e Estados Unidos sobre o aumento de tarifas anunciado pelo presidente Donald Trump. Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que o governo mantenha as conversas abertas, deixando de lado questões ideológicas.

Em entrevista no Rio de Janeiro, o ministro informou que conversou no mesmo dia com Jamieson Greer, representante do escritório comercial da Casa Branca, em uma tentativa de reverter o chamado “tarifaço”. Rosa ressaltou que o prazo estabelecido pela administração americana é 15 de julho, o que impõe pressa às negociações: “o governo corre contra o tempo” para alcançar um consenso, afirmou.

O ministro citou exemplos de ações que, na avaliação dele, atrapalham o diálogo. Entre elas, mencionou uma ordem executiva de julho do ano passado que prevê intervenção no julgamento do Supremo Tribunal Federal sob risco de aplicação de tarifas de 40% mais uma adicional de 10%; a divulgação, por um ex-deputado federal nos Estados Unidos, de que seria autor ou patrocinador da medida; e comemorações em redes sociais no Brasil em razão da imposição das tarifas. Para Rosa, essas iniciativas introduzem na mesa de negociação temas que não deveriam ser debatidos, como questões ideológicas ou oportunismo eleitoral e pessoal.

O governo federal tem atribuído as ameaças tarifárias a articulações da família Bolsonaro, com menção ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. O texto recorda que, no ano passado, quando a administração Trump aplicou tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, Eduardo Bolsonaro agradeceu publicamente ao presidente dos EUA pela medida. O presidente Lula, segundo a reportagem, já qualificou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro como “traidores da pátria”.

No Itamaraty, diplomatas afirmam que os documentos do United States Trade Representative (USTR) evidenciam caráter político à investigação baseada na seção 301. Segundo relatos, os textos iniciais de julho de 2025 são, em grande medida, iguais à recomendação final de junho de 2026, o que, para a equipe brasileira, indica que os argumentos técnicos apresentados — incluindo dados sobre a queda do desmatamento no governo Lula em comparação com a gestão anterior — foram desconsiderados. Uma delegação brasileira formada por técnicos das áreas econômica e ambiental chegou a ir a Washington para apresentar esses dados.

Márcio Elias Rosa afirmou que as reuniões têm registrado avanços pontuais, mas reforçou a necessidade de fechar um acordo até 15 de julho.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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