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segunda-feira, setembro 21, 2026

Menos vacas, mais leite: genética, bem-estar e alimentação impulsionam produção em 24 anos

Na 21ª edição da Megaleite, realizada em junho em Belo Horizonte (MG), a vaca Jornada Montross FIV LPN estabeleceu novo recorde mundial de produção de leite em um único dia ao registrar 112,65 kg. O recorde anterior pertencia a Fernanda Forbes IS Olhos D´Água, com 111,947 kg. Durante os três dias de competição, Jornada produziu 337,95 kg de leite.

O proprietário do animal, Rodrigo Nogueira Ferreira, atribui o desempenho à combinação entre genética superior e manejo intenso, comparando os cuidados prestados à vaca aos de um atleta de alto rendimento. Ferreira afirmou que, na mesma propriedade, outras fêmeas produzem cerca de 30 kg de leite por dia.

Segundo Rui Verneque, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Gado de Leite, casos como o de Jornada ilustram uma tendência do setor: a produtividade das vacas leiteiras brasileiras aumentou significativamente nos últimos 24 anos. Verneque ressalta que, há duas décadas, níveis de produção atuais seriam considerados inacreditáveis.

Fatores por trás do aumento de produção

Verneque aponta a seleção genética como um dos principais motores do crescimento na produtividade. Dados apresentados pela Embrapa indicam que o gir leiteiro, raça zebuína que originalmente produzia pouco, passou de uma média de 2.000 kg para 5.000 kg por lactação — período de aproximadamente 10 meses. A raça girolando, da qual Jornada faz parte, foi desenvolvida por cruzamentos entre holandesa e gir leiteiro e alcança, segundo a Embrapa, média de 7.000 kg por lactação em condições tropicais.

Além da genética, bem-estar animal e alimentação aparecem como pilares do avanço. Verneque alerta que animais de alta produção têm exigências maiores quanto a conforto, controle de temperatura e ambiente: quando essas necessidades não são atendidas, o estresse térmico e outras perturbações reduzem a produção.

No caso de Jornada, o manejo inclui áreas de sombra e pastagem, uma baia exclusiva e equipe treinada para monitorar o bem-estar do animal. A alimentação também recebe atenção especializada: além do uso de pastagens com gramíneas e leguminosas, rações com formulações mais nutritivas e dietas analisadas e acompanhadas por veterinários contribuem para a elevação da produtividade.

Relatórios do setor mostram ainda que, mesmo com redução no efetivo de animais, a produção geral cresceu: com 35% menos vacas em um período de 13 anos, o Brasil passou a produzir mais leite, destacando a maior eficiência obtida por meio desses investimentos em genética, manejo e alimentação.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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