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quarta-feira, novembro 4, 2026

Ocupações em praças de Portugal protestam contra alta de aluguéis e preços de imóveis

Quem e o que: Manifestantes que reivindicam medidas contra a alta dos custos de habitação montaram acampamentos em praças de cidades portuguesas, buscando pressionar por políticas públicas e restrições à especulação imobiliária.

Quando e onde: As ocupações começaram há três semanas no Porto, com tendas levantadas em uma praça da cidade, e se estenderam a Lisboa, onde uma acampada foi instalada na Praça do Rossio.

Como e por quê: As mobilizações, denominadas “acampadas”, ocorreram em resposta ao aumento dos aluguéis e dos preços de imóveis. Autoridades realizaram operações policiais para desmontar os acampamentos, alegando instalação ilegal em área pública; relatos nas redes sociais e de parlamentares apontam que alguns manifestantes se feriram nas ações. Apesar das remoções, os acampados remontaram as tendas após cada intervenção.

O Tribunal Administrativo de Lisboa autorizou a permanência da ocupação no Rossio até 24 de novembro. Comerciantes locais expressaram preocupação com os efeitos dos protestos sobre o comércio e com a realização do mercado de Natal, prevista para começar no local em 14 de novembro.

Dados do portal Pordata, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, mostram que o custo da habitação em Portugal subiu 41,5% entre 2020 e 2025, a maior alta entre os países da União Europeia no período; a média dos países da UE foi de 3,2% e a Grécia registrou 37,8%, segundo o mesmo ranking.

Um relatório do Conselho Europeu em parceria com o Deutsche Bank, divulgado no fim do ano passado, indicou que o aluguel médio em Lisboa corresponde a 116% do salário médio local. Das 22 cidades analisadas, incluindo Paris, Roma, Madri e Berlim, Lisboa foi a única onde a renda média não cobre o aluguel; o estudo recomenda que o custo com locação não ultrapasse 30% dos rendimentos.

Entre as vozes do movimento está a ativista Priscila Valadão, brasileira com cidadania portuguesa, que vive em Portugal há 12 anos e relata dificuldades para incluir o aluguel no orçamento. Ela afirmou que “no centro de Lisboa, você não consegue encontrar um apartamento tipo loft, que a gente chama aqui de T0, por menos de 1.500 euros, sendo que o salário mínimo português é 920 euros. Então, é simplesmente impossível uma pessoa morar na cidade”. Priscila disse morar na periferia e dividir a casa com outra pessoa, e apontou obstáculos adicionais enfrentados por imigrantes para alugar imóveis, incluindo relatos de recusa de proprietários e pedidos de várias rendas adiantadas.

A Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) informa que os brasileiros são a maior comunidade estrangeira em Portugal, com 493 mil pessoas — cerca de um terço do total de imigrantes e 4% da população estimada em 11,4 milhões, sem contar dupla nacionalidade.

Os manifestantes pedem medidas como limitação da compra de imóveis por fundos imobiliários, aumento da oferta de habitação pública, conversão de edifícios vazios em moradias sociais, controle da inflação e aumento salarial. Criticam também a proposta de Novo Regime de Arrendamento Urbano em tramitação no Parlamento, que prevê redução do prazo para despejos, fim do limite de 2% para reajustes contratuais, aumento do depósito-caução e possibilidade de o proprietário recusar renovação automática de contratos.

O primeiro‑ministro Luís Montenegro afirmou que o governo tem um plano de investimento de 10 bilhões de euros para habitação pública e “dinamização” de imóveis privados, incluindo a construção de 133 mil residências financiadas pelo Orçamento do Estado e pelo Banco Europeu de Investimentos. Montenegro defende que a lei das rendas deve atender proprietários e inquilinos, e, no fim de outubro, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, descreveu o programa como “o maior programa de habitação das últimas décadas”, com apoio à compra e locação, incentivos à construção e medidas para colocar casas vazias no mercado.

Com informações da Agência Brasil.

Fonte: Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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