Vitória (ES) — O fundador e presidente da Apex Partners, Fernando Cinelli, foi afastado do cargo na quinta-feira (6) depois que uma apuração interna da empresa identificou “inconsistências financeiras”. O diretor financeiro, Eduardo Siqueira, também teve o afastamento determinado pelos sócios. A presidência interina ficou a cargo do sócio sênior Marcelo Murad.
Afastamento e apuração
O desencadeador da investigação foi um investimento realizado por um fundo da Apex na agência de viagens CVC: a participação de 15,5% adquirida pela companhia registrou queda de cerca de 40% em seis meses. Parte dos investidores havia sido prometida por rendimento garantido, o que agravou os prejuízos e levou à apuração interna.
Cinelli tinha sido indicado para um assento no conselho de administração da CVC em abril do ano passado e, no mesmo dia em que foi afastado da Apex, renunciou ao cargo na agência de viagens.
Medida judicial para proteger o conglomerado
Nesta sexta-feira (7), o juiz Marcos Sanches, da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, concedeu liminar que suspende execuções contra o patrimônio de 178 empresas ligadas ao grupo, em face de um passivo total apontado de R$ 975 milhões. A decisão estabeleceu prazo de 30 dias para que as empresas apresentem pedido de recuperação judicial, sob pena de perda imediata da eficácia da tutela cautelar.
Também foi determinada a nomeação de um administrador judicial para realizar perícia técnica nas operações do conglomerado, com prazo de 20 dias para conclusão dessa etapa. O objetivo declarado pelo magistrado é preservar a continuidade das atividades e evitar a dilapidação de ativos antes de eventual pedido formal de recuperação.
Posicionamentos
Em nota, a Apex Partners disse que a liminar tem caráter preventivo e visa garantir o patrimônio e a continuidade das atividades enquanto se contrata uma auditoria externa para aprofundar a apuração. A empresa ressaltou que a medida não atinge patrimônios segregados de fundos, certificações de recebíveis ou sociedades de propósito específico, preservando recursos de terceiros. A Apex também afirmou que os valores indicados na ação representam obrigações de longo prazo e que o impacto da inconsistência identificada será validado pela auditoria.
A defesa de Fernando Antonio Kulnig Cinelli informou, por nota, que o empresário está “dedicado e comprometido a contribuir da melhor forma para a preservação da companhia, seus investidores e acionistas” e disposto a esclarecer as questões apontadas com “total transparência e idoneidade”.
Reação do mercado
O mercado reagiu imediatamente: o BTG Pactual encerrou o contrato de distribuição com a Apex e bloqueou resgates de um fundo vinculado à plataforma. A Secretaria da Fazenda do Espírito Santo divulgou nota afirmando que não há recursos do Tesouro Estadual ou do Fundo Soberano (Funses) investidos na Apex Partners.
Apex informou que contratará auditoria externa para aprofundar as investigações e que tomará medidas judiciais para responsabilizar civil e criminalmente os envolvidos, conforme decisão dos sócios.
Fonte: G1 – Espírito Santo


