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segunda-feira, junho 15, 2026

Rastreabilidade no agro avança, mas preocupa pequenos produtores sobre barreiras comerciais

A rastreabilidade no agronegócio brasileiro virou exigência global e abriu debate sobre seu impacto econômico e social. A discussão, segundo especialistas do setor, não está mais em aceitar ou rejeitar o rastreamento de produtos, mas em definir como implantá-lo sem prejudicar os produtores rurais.

Leandro Viegas, CEO da Sell Agro, afirma que o foco da conversa mudou: “não é mais se adotar rastreabilidade, e sim como fazê-la de forma que beneficie os produtores”. O tema ganha relevância num cenário em que o Brasil segue como um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, com exportações que alcançaram US$ 169,2 bilhões em 2025.

Pressão por transparência e sustentabilidade

A demanda por informações detalhadas sobre a origem dos alimentos e seu impacto ambiental tem se intensificado globalmente. Consumidores e mercados exigem mais transparência, movimento que não se limita à Europa e que influencia diretamente a cadeia produtiva brasileira.

Embora a rastreabilidade esteja associada à sustentabilidade, sua aplicação traz complexidade ao cruzar fatores políticos e comerciais. O Brasil, que dispõe de um dos códigos ambientais mais rigorosos do mundo, ainda enfrenta desconfiança externa que levanta suspeitas sobre o uso dessas exigências como forma de proteção comercial.

Nesse contexto, pequenos e médios produtores aparecem como os mais vulneráveis. Ao passo que grandes empresas contam com maiores recursos para se adaptar, muitos agricultores têm dificuldades práticas, como falta de conectividade e acesso a tecnologias que facilitem o cumprimento de normas internacionais.

Tecnologia e suporte

Ao mesmo tempo, o país dispõe de capacidade tecnológica para ampliar a rastreabilidade em larga escala. Ferramentas como agricultura de precisão e inteligência artificial já são empregadas em diferentes escalas, o que situa o Brasil como referência em produção agrícola tropical.

Especialistas apontam que o êxito na implantação dependerá da forma de aplicação dessas tecnologias e do papel das empresas do setor. É considerado essencial que as companhias atuem como parceiras dos produtores, oferecendo capacitação e suporte técnico para viabilizar a conformidade com padrões internacionais.

O desafio explícito é equilibrar a necessidade de rastreabilidade com a competitividade do setor, garantindo que produtores que atuam dentro da legalidade não sejam penalizados. A continuidade do agronegócio brasileiro passa pela capacidade de inovar e incluir os produtores na transição, mantendo sua participação na segurança alimentar global.

Fonte: Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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