Setembro Lilás reforça atenção aos sinais que não devem ser atribuídos apenas à idade
A rede Mater Dei em Uberlândia chama atenção, no Setembro Lilás, para a necessidade de distinguir esquecimentos normais do envelhecimento de sintomas que indicam possível adoecimento. O geriatra Dr. Tiago Ferolla destaca que o ponto central é o impacto das mudanças na rotina do paciente: quando há interferência nas atividades diárias ou piora em relação ao funcionamento habitual, é preciso procurar avaliação especializada.
Quais sinais merecem investigação
Esquecimentos isolados — como dificuldade ocasional para lembrar um nome — podem ocorrer em qualquer idade. A preocupação cresce quando os episódios se tornam frequentes e comprometem tarefas antes executadas normalmente. Exemplos citados incluem repetição de perguntas, perda de informações recentes, desorientação em locais conhecidos, confusão sobre datas, dificuldade para gerir dinheiro ou remédios e deixar de realizar refeições simples que a pessoa sempre preparou.
Alterações de comportamento e personalidade, quedas recorrentes, lentidão ao andar, perda de força, emagrecimento sem causa aparente, isolamento social, desânimo persistente, alterações do sono e perda de visão ou audição também demandam atenção.
Diferenciais e importância da investigação precoce
O geriatra alerta que nem todas as alterações cognitivas são demência. Condições como depressão, infecções, efeitos colaterais de medicamentos, problemas da tireoide, deficiência de vitamina B12, distúrbios do sono e outras doenças neurológicas podem produzir sintomas semelhantes. Por isso, quanto mais cedo for investigada a causa, maiores as chances de intervenção, adaptação e planejamento do cuidado.
Avaliação da perda de autonomia
A queda na capacidade de caminhar, organizar a rotina, administrar medicação ou executar atividades habituais exige avaliação integral. O médico deve identificar início e evolução dos sintomas, se foram súbitos ou progressivos, e envolver a família para comparar o funcionamento atual com o anterior. A avaliação geriátrica engloba funções cognitivas (memória, atenção, linguagem, orientação, julgamento) e aspectos físicos e sociais, como força muscular, equilíbrio, marcha, visão, audição, nutrição, humor, sono, continência, comorbidades e condições ambientais.
Revisão de medicamentos é parte essencial do processo, uma vez que alguns fármacos podem causar sonolência, confusão, tontura ou hipotensão, elevando o risco de quedas. Perda súbita de autonomia pode indicar infecção, desidratação, alterações metabólicas, efeitos medicamentosos ou eventos neurológicos; quando o declínio é progressivo, investigam-se demências, fragilidade, sarcopenia, depressão e outras doenças crônicas.
Intervenções que podem recuperar ou preservar funções
Nem toda perda funcional é irreversível. Intervenções como fisioterapia, exercícios com fortalecimento muscular, terapia ocupacional, correção de problemas visuais e auditivos, adequação nutricional, tratamento da depressão e ajuste de medicamentos podem recuperar habilidades ou prevenir declínio adicional. Mesmo em doenças progressivas, o cuidado pode reduzir riscos e manter o idoso participando de decisões e atividades relevantes.
Supervisão sem substituição
Equipes médicas observam que a superproteção familiar pode antecipar a perda de autonomia quando pessoas começam a realizar tarefas que o idoso ainda consegue executar. A recomendação é oferecer supervisão e segurança, permitindo que ele mantenha atividades sob sua capacidade.
A geriatria propõe deslocar o foco exclusivo das doenças para a manutenção do que é importante para o paciente: o que ele ainda consegue fazer, o que tem valor para sua vida e como ajudá-lo a preservar dignidade e qualidade de vida.
Para informações e avaliação especializada, procure a equipe de Geriatria do Mater Dei Santa Genoveva.
Fonte: Revistasoberana


