Atividade econômica mostra retração anual em agosto
A economia da Argentina recuou 1,74% em agosto de 2026 na comparação com o mesmo mês de 2025, conforme divulgou o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Apesar da queda anual, a atividade teve ligeiro avanço de 0,1% em relação a julho.
Este foi o segundo mês consecutivo com variação anual negativa: em julho a economia apresentou queda de 2,8% na comparação interanual e recuo de 1,5% frente a junho. No acumulado de 2026 até agosto, o PIB registrou alta de 1,2%, abaixo dos 1,7% observados no acumulado até julho.
A economista Clara Brenck, professora adjunta do Departamento de Economia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisadora do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (Made/USP), avaliou que o país pode estar entrando em recessão e destacou o aumento do desemprego como sinal de alerta. Brenck apontou a diminuição da inflação como um dos poucos aspectos positivos, ressaltando, porém, que essa evolução depende da variação do dólar.
Setores que mais colaboraram para a queda em agosto incluíram pesca (-15,7%), intermediação financeira (-3,8%), comércio atacadista, varejista e reparações (-3,5%), indústria manufatureira (-3,2%), transportes e comunicações (-2,9%) e construção (-2,5%).
Em sentido contrário, mineração e petróleo cresceram 11,1%, eletricidade, gás e água avançaram 4,3% e hotéis e restaurantes tiveram alta de 3,1%.
Brenck observou que as atividades de petróleo, gás e mineração evitaram uma contração mais acentuada, mas ressaltou que esses setores dependem do mercado externo e dos preços internacionais, não significando, necessariamente, recuperação da economia doméstica. A economista considerou preocupantes as quedas na indústria e no comércio, setores com maior participação ocupacional, e relacionou parte do desempenho à política de cortes de gastos do presidente Javier Milei. Segundo ela, as reduções tributárias anunciadas para estimular investimentos ainda não resultaram no aumento da atividade privada.
Para a especialista, o crescimento do setor hoteleiro é o aspecto mais favorável entre os dados, por contribuir para conter a alta do desemprego, embora tenha peso menor na composição da economia.
O ministro da Economia, Luis Caputo, destacou o crescimento de 0,1% em agosto frente a julho e afirmou que o indicador tendência-ciclo calculado pelo Indec ficou 6,6% acima do nível de dezembro de 2023, mantendo-se estável em agosto.
Caputo também informou que as exportações agroindustriais de setembro teriam alcançado um recorde histórico para o mês. Nos primeiros nove meses do ano, o setor exportou US$ 43.206 milhões, alta de 13% ante igual período de 2025, além de registrar recorde histórico em volume, segundo o ministro.
Fonte: Uberlandianofoco


