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terça-feira, junho 2, 2026

EUA dizem que políticas brasileiras favorecem o PIX e anunciam consulta pública com proposta de tarifa sobre importações

Estados Unidos apontam que ações do Brasil prejudicam empresas americanas e citam o PIX em investigação comercial

Os Estados Unidos afirmaram, nesta segunda-feira (1º), que medidas e políticas adotadas pelo Brasil têm prejudicado companhias norte-americanas e dificultado o comércio bilateral. Em documento divulgado pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), o governo propôs medidas corretivas e abriu uma consulta pública sobre o caso, incluindo a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados para os EUA, com exceções previstas.

O texto do USTR alega que o Banco Central do Brasil teria favorecido o PIX em relação a empresas americanas do setor de pagamentos, atuando simultaneamente como regulador e como operador do sistema — situação que, na avaliação do governo americano, restringe a concorrência. A investigação comercial que colocou o sistema brasileiro no centro da disputa foi iniciada em julho de 2025 a pedido do presidente Donald Trump.

Ao formalizar o processo, a administração Trump não citou o PIX pelo nome, referindo‑se a “serviços de comércio digital e pagamento eletrônico”, incluindo os oferecidos pelo Estado brasileiro — categoria na qual o PIX é o único sistema governamental com essa finalidade.

Motivos apontados por especialistas

Especialistas ouvidos pelo g1 em maio deste ano indicam que vários fatores ajudam a explicar a ofensiva dos EUA. Entre eles estão a forte concorrência que o PIX representa para bandeiras de cartão de crédito americanas, como Visa e Mastercard, e para fintechs, além do eventual avanço do PIX Internacional e a discussão no Brics sobre alternativas ao dólar nas transações comerciais.

Segundo o economista Jorge Ferreira dos Santos Filho, da ESPM, o PIX é gratuito para pessoas físicas e tem custo reduzido para empresas, o que pressiona modelos de negócio baseados em taxas sobre transações. Ralf Germer, CEO da PagBrasil, ressalta que o PIX é tecnologicamente avançado e promove concorrência, mas afirma não ver motivos claros para que isso justifique a investigação dos EUA.

O economista Fabrizio Velloni, da Frente Corretora, avalia que a possibilidade de o PIX Internacional ser usado em operações entre países do Brics pode ter preocupado os EUA por representar risco à hegemonia do dólar. O professor Jorge Ferreira acrescenta que o PIX poderia competir com o sistema SWIFT em pagamentos transfronteiriços.

Contexto e precedentes

Em abril, um relatório da Casa Branca voltou a apontar o PIX como prejudicial a grandes emissores de cartões. Pedro Henrique Ramos, do RegLab, observa que o sucesso do PIX transformou o sistema em vitrine de inovação estatal e pode ter gerado “pressão internacional” por favorecer uma infraestrutura pública de pagamentos.

Ramos também destaca que os EUA já contestaram políticas semelhantes em outros países, citando ações contra Indonésia, Índia e China. Nos Estados Unidos existem sistemas como Zelle e FedNow, mas, segundo especialistas, nenhum alcançou a penetração do PIX.

Relação com big techs e histórico de bloqueios

O debate dos EUA sobre pagamentos eletrônicos inclui ainda tensões com grandes empresas de tecnologia americanas que oferecem serviços de pagamento. A pesquisadora Lia Valls, do FGV Ibre e UERJ, lembra que conflitos jurídicos entre essas empresas e decisões do Supremo Tribunal Federal brasileiro influenciam o ambiente de disputa.

O episódio envolvendo o WhatsApp ilustra essa interação: em junho de 2020, o Banco Central e o Cade suspenderam a função de pagamentos do aplicativo para avaliar riscos ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) e à concorrência. Em 2023, com o PIX em operação, o BC autorizou pagamentos por cartão no WhatsApp; em dezembro daquele ano, a empresa descontinuou pagamentos por débito entre pessoas. Em nota em novembro de 2024, o WhatsApp afirmou que a decisão visou priorizar transações via PIX.

Ao concluir a consulta pública, o governo dos EUA poderá definir medidas adicionais à proposta de tarifa de 25% mencionada no documento do USTR, que também prevê exceções para determinados produtos.

G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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