A BIOINFOOD, startup brasileira de biotecnologia industrial, desenvolveu uma tecnologia que converte a farinha do mesocarpo do babaçu em um ingrediente proteico para a indústria de alimentos plant-based. A empresa afirma que o processo eleva o teor de proteína da farinha de cerca de 1,5% para aproximadamente 7% e gera textura fibrosa e sabor equilibrado, adequados para hambúrgueres vegetais e outras aplicações alternativas.
Valorização de um coproduto pouco aproveitado
O babaçu é uma atividade extrativista relevante nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, envolvendo cerca de 62 mil pessoas, incluindo as tradicionais quebradeiras de coco. Historicamente, o produto comercializado de maior valor era o óleo extraído da amêndoa, enquanto a farinha do mesocarpo era subutilizada e, muitas vezes, descartada. A tecnologia da BIOINFOOD transforma esse subproduto em um ingrediente funcional, elevando seu valor agregado e ampliando as possibilidades da cadeia produtiva do babaçu.
Processo técnico e impacto ambiental
O método adotado combina hidrólise enzimática e fermentação em biorreatores automatizados para converter açúcares presentes na farinha em biomassa proteica. Segundo a empresa, o procedimento não exige expansão de áreas agrícolas e não contribui para o desmatamento. Em escala laboratorial, a startup já validou a tecnologia e produziu um protótipo de hambúrguer plant-based à base da proteína de babaçu.
Parcerias e escala
O projeto conta com a parceria do Instituto de Tecnologia de Alimentos e recebe apoio da Rede Terra do Meio, que reúne comunidades indígenas e agricultores familiares em áreas protegidas. A BIOINFOOD pretende buscar parceiros industriais para avançar à fase piloto e ampliar a produção em escala comercial, com o objetivo de consolidar o potencial econômico da bioeconomia regional.
Mercado e perspectivas
O mercado global de proteínas alternativas tem projeção de atingir US$ 88,8 bilhões até 2034, aponta o material divulgado pela empresa, enquanto o setor no Brasil movimentou R$ 1,13 bilhão em 2024, um crescimento de 14% em relação a 2023. A demanda por ingredientes sustentáveis e rastreáveis é citada como um fator que pode favorecer a internacionalização de soluções que utilizem biodiversidade brasileira, beneficiando produtores e consumidores.
A BIOINFOOD também estuda a aplicação da mesma tecnologia em outros resíduos agroindustriais, como farelo de trigo e milho, visando fortalecer a bioeconomia nacional e oferecer alternativas sustentáveis para a indústria de alimentos.
Fonte: Uberlandianofoco


