O procurador‑geral da República, Paulo Gonet, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF um parecer que apoia a resolução da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de 2011, a qual reconheceu Flamengo e Sport como campeões do Brasileiro de 1987. O documento foi protocolado nesta quarta‑feira (18) e foi anexado a uma ação rescisória movida pelo Flamengo no STF, que busca anular decisão anterior da Corte.
Em 2018, o STF havia declarado o Sport como único campeão daquele ano e considerou nula a resolução da CBF que previa o compartilhamento do título. No parecer enviado agora, Gonet defende que o reconhecimento feito pela entidade máxima do futebol se deu no âmbito esportivo e, por isso, merece preservação. Segundo o procurador, é possível manter a decisão judicial que beneficia o Sport sem impedir o reconhecimento administrativo da titulação compartilhada, abrindo caminho para restaurar a resolução que também favorece o Flamengo.
O processo retornará ao STF, que ainda não marcou data para o julgamento. A nova análise da Corte pode redefinir oficialmente os contornos de uma das disputas mais controversas do futebol brasileiro.
Origem da polêmica e principais marcos
O impasse remonta a 1986, quando o Campeonato Brasileiro reuniu 80 clubes e recebeu críticas ao formato e à organização. A CBF prometeu reestruturar a competição e criar uma primeira divisão com 24 equipes. No início de 1987, alegando falta de condições financeiras para promover o torneio, a entidade viu surgir o Clube dos 13, formado por grandes clubes que organizaram a Copa União.
Integraram o Clube dos 13 equipes como Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Grêmio, Internacional, Atlético‑MG, Cruzeiro e Bahia. Paralelamente, a CBF montou uma disputa com 40 clubes e criou um regulamento prevendo um cruzamento entre os dois primeiros colocados da Copa União (Módulo Verde) e os dois melhores do Módulo Amarelo. Embora tenha havido assinaturas formais em acordo, o modelo gerou divergências.
Dentro de campo, o Flamengo venceu o Internacional por 1 a 0 na final da Copa União e foi comemorado como campeão daquela competição. No Módulo Amarelo, Sport e Guarani empataram a decisão, inclusive nas cobranças de pênaltis, e foram declarados vencedores da fase.
Em 1988, a CBF manteve a exigência do cruzamento final. Flamengo e Internacional não disputaram as partidas, enquanto Sport e Guarani avançaram por W.O.; o Sport venceu a etapa seguinte e foi proclamado campeão brasileiro pela entidade. Desde então, a disputa seguiu na Justiça, com o STF reconhecendo em 2018 o Sport como único vencedor, enquanto o Flamengo seguiu reconhecido como campeão da Copa União.
Com o novo parecer da PGR, a controvérsia retorna à Suprema Corte, reacendendo uma rivalidade que envolve torcidas e segue em discussão há quase quatro décadas.
Com informações de Paranaibamais

