A Lei Seca completa 18 anos no Brasil, mas os desafios para reduzir a combinação de álcool e direção persistem. Minas Gerais aparece no topo do país em número de autuações por embriaguez ao volante e ocupa a segunda posição no ranking de mortes causadas pela mistura de álcool e direção, segundo levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Dados de letalidade e fatores regionais
A PRF informou que a taxa de letalidade em acidentes nas rodovias federais de Minas Gerais chegou a 7,1%, acima da média nacional, que está em 5,8%. Especialistas citam o relevo e a configuração das vias mineiras como elementos que agravam a gravidade dos acidentes. Trechos sinuosos, pistas simples e grande circulação de caminhões em estradas como a BR-381, a BR-040 e a BR-262 tornam as ocorrências mais perigosas quando há consumo de álcool.
Percepções alteradas pelo álcool
A psicóloga especializada em trânsito Giovana Varonni afirma que os motoristas frequentemente subestimam os riscos ao dirigir alcoolizados. Segundo a especialista, condutores tendem a acreditar que dirigem melhor do que realmente conseguem ou que estão próximos do destino, mas o álcool compromete a capacidade de avaliar corretamente situações como a aproximação de curvas, elevando o risco de acidentes graves.
Recusa ao bafômetro e estratégia jurídica
Outro aspecto destacado no balanço nacional é o aumento das recusas ao teste do bafômetro. Em Minas Gerais, há uma proporção de 4,2 recusas para cada teste positivo registrado. No conjunto do país, essa relação é de 6,2 recusas para cada exame positivo. Para autoridades, a prática indica uma tentativa de evitar responsabilização criminal.
A coordenadora de trânsito Adalgisa Lopes critica essa postura, afirmando que muitos motoristas recusam o teste não por desconhecimento do procedimento, mas por cálculo jurídico para escapar do flagrante. Ela ressalta que essa atitude negligencia o risco de mortes para outras pessoas que compartilham as vias.
Ao completar 18 anos, a Lei Seca continua mostrando que a combinação de fiscalização e mudança de comportamento é necessária para reduzir óbitos e autuações relacionadas à embriaguez ao volante.


