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quinta-feira, junho 4, 2026

Ex-diretor da OMC diz que Pix não corre risco após relatório dos EUA sobre tarifas

Diplomata Roberto Azevêdo avalia impacto de relatório americano sobre o Pix e recomenda negociação

O anúncio de possível retomada de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros reacendeu uma disputa política entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e trouxe à tona preocupações sobre o Pix, instrumento de pagamentos criado pelo Banco Central. Em entrevista à BBC News Brasil, o diplomata e ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, afirmou que, em sua avaliação, o Pix não enfrenta risco direto.

Nos últimos dois dias, o Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) divulgou um relatório que citou o Pix como um “campeão nacional” e apontou que o mecanismo poderia representar uma ameaça a empresas americanas do setor de meios de pagamento. A publicação, resultado de uma investigação comercial, trouxe menções ao sistema instantâneo brasileiro e fez parte do conjunto de razões para a possível imposição de tarifas por parte dos EUA.

A disputa ganhou tom eleitoral com trocas de acusações: Lula afirmou que Flávio Bolsonaro teria solicitado a imposição das tarifas durante encontro com o ex-presidente Donald Trump nos Estados Unidos; Flávio revida dizendo que o governo brasileiro falhou nas negociações. O senador se encontrou com Trump na Casa Branca em 27 de maio.

Azevêdo explicou que a principal preocupação norte-americana não seria o Pix em si, mas o fato de o Banco Central administrar a plataforma ao mesmo tempo em que regula concorrentes como Visa e Mastercard. Segundo ele, esse ponto é o que motiva questionamentos externos, mas não significa, na sua opinião, que haverá alteração imediata no funcionamento do sistema brasileiro.

Sobre o risco econômico das tarifas, o ex-diretor da OMC lembrou que, caso aplicadas, as medidas podem atingir cerca de 20% dos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos e atrapalhar a integração de setores brasileiros em cadeias globais de valor. Ele citou que, antes da derrubada por parte da Suprema Corte norte-americana em janeiro, as tarifas chegaram a 40% e agora estariam sendo reintroduzidas em nível de 25%.

Com mais de 30 anos de carreira diplomática, Azevêdo presidiu a OMC entre 2013 e 2020 e ocupou cargos no Ministério das Relações Exteriores, além de ter sido embaixador do Brasil junto ao organismo. Após deixar a presidência da OMC em 2020 para assumir posição executiva na PepsiCo e sair da empresa em 2023, ele atua como consultor e integra conselhos em entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Na entrevista, Azevêdo defendeu que o governo brasileiro mantenha negociações para reduzir os impactos das medidas americanas e alertou para o risco de que o clima eleitoral prejudique o processo. Ele avaliou que os contatos entre os dois governos foram, até então, superficiais, citando interlocuções de alto nível entre o secretário de Comércio dos EUA, Jamiesson Greer, e o ministro da Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa.

O ex-diretor também afirmou que opções como retaliações legais ou uso da reciprocidade têm eficácia limitada para o Brasil, ao contrário do que ocorreu com a China, e que levar o caso à OMC pode gerar visibilidade, mas terá resultados práticos restritos porque o sistema de solução de controvérsias da organização está inoperante.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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