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quarta-feira, abril 29, 2026

Governo propõe elevar mistura obrigatória de etanol na gasolina para 32%

O Governo Federal anunciou nesta sexta-feira (24) a intenção de aumentar de 30% para 32% a participação obrigatória de etanol anidro na gasolina vendida no país, proposta conhecida como E32. A mudança será submetida ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em reunião marcada para 7 de maio.

O anúncio foi feito em Uberaba pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, durante a abertura da Safra Mineira de Açúcar e Etanol. De acordo com o governo, a elevação para 32% poderá reduzir a necessidade de importação de gasolina em cerca de 500 milhões de litros por mês e levar o Brasil à autossuficiência no combustível. “O Brasil se tornará autossuficiente em gasolina”, afirmou o ministro.

Base técnica e respaldo legal

A proposta sucede a mudança aprovada no ano anterior, quando a mistura obrigatória subiu de 27% para 30%. O governo diz que testes técnicos realizados durante a implementação do E30 já comprovaram a viabilidade do uso de gasolina com até 32% de etanol em veículos automotores. A alteração também encontra respaldo na chamada Lei do Combustível do Futuro, que exige comprovação técnica de segurança e desempenho antes de aumentos na mistura.

Histórico da mistura no Brasil

A presença de etanol na gasolina no Brasil vem sendo ampliada de forma gradual desde a década de 1970. Dados oficiais e estudos do setor apontam a evolução do percentual obrigatório ao longo dos anos: em 1976 havia 11% (E11); em 1978 a mistura variou entre 18% e 23%; entre 1984 e 1986 ficou em 20%; entre 1993 e 1998 alcançou 22%; em 2007 situou-se entre 23% e 25%; em 2015 subiu para 27%; em 2025 passou para 30%; e a proposta para 2026 prevê 32%.

Impactos em veículos e em fabricantes

Uma das dúvidas centrais sobre o E32 é o efeito nos veículos. A professora de engenharia mecânica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Ana Marta de Souza, afirmou que carros flex produzidos no Brasil já estão preparados para operar com altos percentuais de etanol e, portanto, não devem requerer alterações mecânicas. Segundo ela, “os motores flex já estão preparados para qualquer porcentagem de etanol, então não há necessidade de mudanças na fabricação”.

Por outro lado, Ana Marta alertou que veículos projetados apenas para gasolina, especialmente modelos mais antigos, podem precisar de adaptações em componentes e de recalibração do sistema de injeção eletrônica, o que pode afetar a durabilidade de partes do sistema de combustível. A especialista também lembrou que o etanol tem menor poder energético que a gasolina, o que pode elevar o consumo, embora sua maior octanagem possa beneficiar o desempenho em motores flex.

Testes conduzidos anteriormente pelo Ministério de Minas e Energia, com participação da Petrobras, da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), avaliaram a viabilidade técnica de misturas entre E22 e E30 antes da ampliação do percentual. A provável alteração para 32% também pode gerar custos adicionais às montadoras, que precisarão homologar motores e validar desempenho, emissões e durabilidade frente às novas especificações de combustível, especialmente para modelos importados ou veículos originalmente a gasolina.

Efeito no preço

Além da expectativa de reduzir importações, o governo defende que maior participação do etanol anidro na mistura pode contribuir para queda nos preços dos combustíveis nos postos. O argumento é que o etanol anidro costuma custar menos do que a gasolina importada, e uma participação maior do biocombustível reduziria a sensibilidade do mercado brasileiro às variações nos preços internacionais do petróleo.

Paranaibamais

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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