O aumento do tempo diante de dispositivos eletrônicos tem contribuído para o surgimento mais precoce e a progressão acelerada da miopia entre crianças e adolescentes, segundo observações de oftalmologistas. Profissionais relatam mudança no perfil dos pacientes atendidos, com maior frequência de casos e piora mais rápida dos graus.
Quem e onde
A oftalmologista Dra. Letícia Pinheiro de Freitas, do Mater Dei Santa Genoveva, afirma que a tendência já é evidente no atendimento clínico.
O que está acontecendo
De acordo com a médica, os consultórios têm registrado não apenas um aumento no número de pacientes com miopia, mas também a apresentação da condição em idades cada vez menores e com progressão mais veloz do erro refrativo.
Quando e por que
Segundo Dra. Letícia, a mudança tem relação direta com transformações recentes no estilo de vida: maior exposição às telas e menor tempo dedicado a atividades ao ar livre. A redução do contato com a luz natural, que desempenha papel protetor no desenvolvimento ocular, aliada ao esforço visual prolongado para perto, favorece a evolução da miopia.
Sintomas e sinais
Os relatos mais comuns entre pacientes incluem cansaço visual, dores de cabeça, sensação de ardência e de olho seco, lacrimejamento e dificuldade para focar objetos distantes após longos períodos usando celulares, tablets ou computadores. Esses quadros são frequentemente associados à chamada Síndrome da Visão de Computador.
Em crianças, sinais comportamentais também ajudam no diagnóstico: aproximação excessiva das telas, queda no rendimento escolar e aumento da frequência de apertar os olhos para enxergar melhor são observados pelos pais e educadores, segundo a oftalmologista.
Hábitos que aceleram a progressão
A médica aponta hábitos que contribuem diretamente para a piora do grau: uso prolongado de telas sem pausas, pouca distância entre olhos e dispositivos, excesso de tempo em ambientes fechados e baixa exposição à luz natural. O uso noturno de celulares por horas, especialmente antes de dormir, também é destacado como fator de risco.
Orientações
Diante do cenário, a recomendação profissional inclui mudanças de rotina: incentivar pausas regulares durante o uso de telas, limitar o tempo de exposição a dispositivos e estimular atividades ao ar livre. Dra. Letícia ressalta que essas medidas são importantes para a saúde ocular, sobretudo na infância e adolescência, fases críticas para o desenvolvimento da visão.
O aumento da miopia em idades mais precoces reforça a necessidade de acompanhamento oftalmológico regular e de conscientização das famílias sobre o impacto dos hábitos digitais na saúde visual a longo prazo.
FONTE: Uberlandianofoco


