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terça-feira, junho 2, 2026

Agro prevê queda a partir de 2026 com risco de El Niño e fertilizantes mais caros

Resumo: A agropecuária brasileira deve perder ritmo nos próximos meses e entrar em trajetória de queda até 2027, pressionada pelo risco de um El Niño intenso e pela elevação do custo dos fertilizantes. Especialistas apontam que o clima adverso pode comprometer a safra e que a alta nos insumos já impacta o planejamento dos produtores.

Quem, o que e quando

Produtores e analistas do setor agrícola apontam que, após um início de ano positivo, o setor tende a enfraquecer nos próximos trimestres. A agropecuária registrou crescimento de 2% nos três primeiros meses de 2026 em relação ao último trimestre de 2025, segundo o IBGE, mas a expectativa é de contração para o período seguinte e projeção de recuo do PIB do agronegócio em 0,9% neste ano, segundo o economista Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro.

Por que e como

O enfraquecimento decorre de dois fatores principais: a alta probabilidade de formação de um episódio de El Niño entre junho e julho, e o aumento nos preços dos fertilizantes, influenciado pela guerra no Oriente Médio. Carlos Cogo, da Cogo Inteligência em Agronegócios, alerta que o último El Niño de grande intensidade, em 2014-2015, resultou na maior quebra de safra da história do país. Cogo afirma ainda que “o El Niño deve ser decretado a partir da primeira ou segunda semana de junho”, observando que o fenômeno ainda não foi oficialmente confirmado.

Onde os impactos são mais fortes

O El Niño tende a provocar secas intensas no chamado Matopiba — formado por Tocantins e áreas do Maranhão, Piauí e Bahia — região importante para soja, milho e algodão. Estados como Mato Grosso e Pará também podem sofrer com a estiagem. No Sul, o excesso de chuva prejudica o arroz, sobretudo no Rio Grande do Sul. Em 2026, a maior parte das lavouras já foi plantada, por isso o efeito sobre o volume colhido e sobre o PIB deve ser sentido sobretudo em 2027, segundo Serigati.

Custos e decisões dos produtores

Além do risco climático, produtores enfrentam juros elevados que encarecem o crédito e aumentam o endividamento. A alta dos fertilizantes obriga compras antecipadas para ciclos futuros; como consequência, muitos podem reduzir a quantidade aplicada ou optar por fertilizantes menos concentrados, prática que diminui produtividade por hectare e eleva custos de transporte e operação. Serigati explica que essas mudanças de insumo e de área plantada podem reduzir a eficiência produtiva e o faturamento em reais, especialmente para soja, milho, algodão e café, ainda mais com a valorização do real frente ao dólar.

Contexto recente

O crescimento de 2% no primeiro trimestre de 2026 ocorreu depois de um ano atípico de 2025, quando o setor cresceu 12%, resultado atribuído à combinação de clima favorável, safras recordes e volumes elevados de abate, principalmente de bovinos. Especialistas ressaltam que essa base de comparação elevada torna mais difícil repetir o desempenho.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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