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terça-feira, junho 2, 2026

Milhares de livros são removidos de bibliotecas e escolas públicas nos EUA

Bibliotecas e escolas públicas dos Estados Unidos registraram, nos últimos anos, um número recorde de livros retirados e proibidos, atingindo tanto obras de ficção quanto clássicos e materiais didáticos. No último ano letivo, quase 7 mil títulos foram banidos em escolas públicas, enquanto mais de 5 mil livros foram removidos de bibliotecas ao longo de 2025.

Entre os títulos citados estão romances e obras consagradas, como Me Chame Pelo Seu Nome e O Conto da Aia, além de casos em que até a Bíblia sofreu restrições. Livreiros apontam que cerca de 40% dessas obras tratam de experiências da comunidade LGBTQ+ ou de pessoas não brancas.

Organizações que acompanham o tema atribuem a maior parte das ações a grupos ultraconservadores. Segundo livreiros, 92% das proibições são promovidas por ativistas ou coletivos que dizem representar pais de alunos. O estado da Flórida é apontado como um dos principais polos dessas medidas, impulsionado por legislação local, pressão política e pela expansão de movimentos que defendem os chamados “direitos parentais”.

Em nível federal, o artigo cita que o presidente Trump tem apoiado esses mesmos direitos por meio de ordens executivas. No Congresso, tramita uma proposta de lei que prevê a retirada de financiamento de escolas que utilizem livros com temática sexual.

Alicia Quiñones, diretora do PEN Internacional para a América, afirmou que a onda de censura está inserida em um contexto mais amplo de polarização política e de tentativas de controlar narrativas sobre raça, gênero, identidade e memória histórica. Ela destacou que a censura de livros tem sido usada como instrumento para limitar quais histórias e perspectivas podem integrar o debate público, gerando também um efeito de intimidação sobre a liberdade acadêmica e o desenvolvimento do pensamento crítico entre estudantes.

O debate inspirado por esses episódios também alimentou produções literárias: em 2024, o livro A Biblioteca do Censor de Livros foi finalista do Prêmio Nacional de Literatura dos Estados Unidos; a obra apresenta uma distopia em que alguém decide quais livros devem desaparecer, cenário que observadores relacionam às preocupações atuais.

Pesquisas do PEN Internacional e outras entidades registram ainda que movimentos semelhantes ocorrem fora dos EUA, com episódios documentados na Nicarágua e na Argentina e casos anteriores vinculados a contextos políticos no Brasil. Ao mesmo tempo, há resistência: redes de organizações trabalham contra as remoções, livrarias montam mesas com obras proibidas e a hashtag “Leia livros proibidos” circula nas redes sociais para chamar atenção às obras afetadas.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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